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Leia: Senado aprova linha especial para renegociação de dívidas do agro
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11 de junho de 2026 15:43

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OpiniãoMT > Blog > Agronegócio > Senado aprova linha especial para renegociação de dívidas do agro
Agronegócio

Senado aprova linha especial para renegociação de dívidas do agro

Senado aprova projeto que cria linha especial para renegociação de dívidas do agro com carência, juros menores e prazo de até 10 anos.

última atualização: 11 de junho de 2026 08:18
Redação OPMT
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7 Minutos de Leitura
Senado aprova linha especial para renegociação de dívidas do agro
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A proposta que cria novas condições para renegociação das dívidas do agro avançou no Congresso Nacional após aprovação do Senado nesta quarta-feira (10). O projeto estabelece uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais, cooperativas, associações e condomínios agrícolas que enfrentaram dificuldades provocadas por eventos climáticos extremos ou por impactos econômicos relacionados ao cenário internacional. O texto segue agora para nova análise da Câmara dos Deputados devido às alterações promovidas pelos senadores.

A medida prevê condições diferenciadas para refinanciamento dos débitos, incluindo taxas de juros reduzidas, período de carência e prazos mais extensos para pagamento. Além disso, o governo federal poderá utilizar recursos provenientes do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes autorizadas para garantir a implementação da iniciativa.

Como funcionará a renegociação das dívidas rurais

O projeto aprovado amplia significativamente o alcance da proposta original. Inicialmente, o texto tinha como foco principal produtores afetados por desastres naturais, especialmente aqueles impactados pelas enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024.

Durante a tramitação no Senado, o relator da matéria, senador Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou alterações que também contemplam produtores atingidos por consequências econômicas decorrentes de conflitos internacionais. Entre os fatores considerados estão os efeitos provocados por guerras e instabilidades geopolíticas que influenciam custos de produção, preços de insumos e oscilações nos mercados agrícolas.

Segundo o relator, as mudanças foram resultado de intensas negociações realizadas entre representantes do Congresso Nacional e integrantes da equipe econômica do governo federal.

Dívidas do agro poderão ser refinanciadas com condições especiais

O texto estabelece que poderão ser renegociadas operações de crédito rural, financiamentos agrícolas e Cédulas de Produto Rural (CPR) contratadas até 31 de dezembro de 2025, independentemente de já terem passado por renegociação anterior.

Outro ponto relevante é que os valores em atraso serão recalculados sem aplicação de multas, juros de mora e demais encargos decorrentes da inadimplência. A medida busca reduzir o peso financeiro enfrentado pelos produtores e facilitar a retomada das atividades produtivas.

Os financiamentos poderão ter prazo de pagamento de até dez anos, além de um período de carência que poderá chegar a três anos, dependendo da situação do beneficiário e das regras definidas para cada operação.

Taxas de juros variam conforme o porte do produtor

As condições financeiras serão diferenciadas de acordo com o perfil do produtor rural.

Os agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), bem como outros pequenos produtores, terão acesso a juros de 3,5% ao ano.

Para os participantes do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais produtores de médio porte, a taxa será de 5,5% ao ano.

Já os grandes produtores poderão contratar a linha de financiamento com juros de 7,5% ao ano.

Os recursos poderão ser operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de bancos públicos, instituições financeiras privadas e cooperativas de crédito habilitadas.

Recursos do Fundo Social do Pré-Sal poderão ser utilizados

A proposta autoriza o Poder Executivo a utilizar diferentes fontes de recursos para viabilizar o programa de refinanciamento.

Entre elas estão as receitas correntes do Fundo Social previstas para os anos de 2026 e 2027, os superávits financeiros apurados em exercícios anteriores e recursos disponíveis em outros fundos sob supervisão do Ministério da Fazenda.

O Fundo Social é abastecido com receitas provenientes da exploração de petróleo na camada pré-sal e financia projetos ligados a áreas como educação, saúde, meio ambiente e ações voltadas à adaptação às mudanças climáticas.

O relator da matéria destacou que a utilização desses recursos não comprometerá os investimentos atualmente destinados aos setores de saúde e educação.

Limites de financiamento para produtores e cooperativas

O projeto estabelece limites máximos para contratação das operações.

Cada produtor rural poderá refinanciar até R$ 10 milhões em débitos. Já cooperativas, associações de produção e condomínios rurais poderão acessar financiamentos de até R$ 50 milhões.

Para participar do programa, os beneficiários deverão comprovar enquadramento em critérios objetivos relacionados a perdas produtivas, situações de calamidade pública ou dificuldades econômicas previstas na legislação.

Outros fundos também poderão apoiar o programa

Além dos recursos do Fundo Social, a proposta permite a utilização de instrumentos financeiros já existentes para ampliar a capacidade de atendimento aos produtores.

Entre eles estão o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

Caso os recursos desses mecanismos sejam insuficientes para atender a demanda regional, o Fundo Social poderá assumir o custeio das operações necessárias para implementação do programa.

Suspensão temporária de cobranças

Outro dispositivo importante do projeto prevê que as instituições financeiras poderão adiar por até 180 dias o vencimento das parcelas das operações abrangidas.

Durante esse período, ficam suspensos procedimentos administrativos de cobrança, execuções judiciais e extrajudiciais, cobranças fiscais e inscrições dos produtores em cadastros de inadimplência.

A medida busca oferecer um período de estabilidade para que os beneficiários possam reorganizar suas finanças sem o risco imediato de restrições de crédito ou ações de cobrança.

Senadores destacam importância do setor agrícola

Durante a votação, parlamentares de diferentes partidos manifestaram apoio à proposta. Os senadores defenderam que a agricultura continua sendo um dos principais motores da economia brasileira e que o setor enfrenta desafios significativos provocados por fatores climáticos, financeiros e internacionais.

Entre os argumentos apresentados estão os impactos causados pela queda nos preços das commodities, o aumento das taxas de juros e as oscilações cambiais que afetam diretamente a rentabilidade das atividades agrícolas.

Os parlamentares afirmaram que a renegociação poderá contribuir para preservar a capacidade produtiva do campo e reduzir os efeitos econômicos enfrentados pelos produtores nos últimos anos.

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