A Polícia Federal determinou o afastamento de um perito criminal federal investigado por suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas às apurações envolvendo o Banco Master. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto de uma operação que investiga possível violação de sigilo funcional durante a operação Compliance Zero.
Investigação apura vazamento de informações sigilosas
De acordo com a Polícia Federal, o servidor investigado teria compartilhado com integrantes da imprensa conteúdos obtidos a partir da análise de materiais apreendidos nas etapas anteriores da investigação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. As suspeitas envolvem vazamentos registrados entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Entre os documentos que acabaram se tornando públicos está um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF.
Além do afastamento do agente investigado, a operação também cumpriu dois mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares autorizadas pela Suprema Corte.
Perito criminal é alvo exclusivo da operação
O Supremo Tribunal Federal informou que jornalistas e veículos de comunicação não fazem parte da investigação. Segundo a Corte, o foco das diligências está restrito à atuação funcional do agente público suspeito de descumprir o dever legal de preservar informações sob sigilo.
A PF também apura se houve acesso irregular a sistemas restritos utilizados durante as investigações. Os investigadores tentam identificar como conversas privadas extraídas do celular de Daniel Vorcaro passaram a circular fora do ambiente oficial da apuração.
Contrato com escritório de advocacia ganhou repercussão
As informações sobre o contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes vieram a público inicialmente por meio de reportagem publicada pela jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, em dezembro. Segundo os dados divulgados na ocasião, os honorários previstos no acordo seriam de R$ 3,6 milhões mensais durante um período de 36 meses. O valor total estimado ultrapassaria R$ 131 milhões ao final da vigência contratual. A repercussão do caso aumentou após a divulgação dos detalhes financeiros do contrato, levando a questionamentos públicos sobre a relação comercial firmada entre as partes.
Escritório nega atuação no STF
Em nota oficial divulgada após a repercussão do caso, o escritório Barci de Moraes afirmou que o contrato esteve vigente entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período encerrado após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central.
O escritório declarou ainda que, durante a prestação de serviços, foram elaborados 36 pareceres jurídicos relacionados a diferentes áreas, incluindo temas previdenciários, trabalhistas, regulatórios, negociais, proteção de dados, compliance e crédito. A defesa ressaltou também que o escritório não atuou em processos do Banco Master perante o Supremo Tribunal Federal.
PF investiga possível acesso irregular a sistemas internos
Outro ponto investigado pelas autoridades envolve o suposto acesso indevido a plataformas restritas utilizadas pela Polícia Federal durante o andamento das apurações. Os investigadores analisam se dados confidenciais foram extraídos de forma irregular antes de serem divulgados externamente.
A suspeita é de que informações privadas obtidas a partir da perícia realizada em aparelhos eletrônicos ligados ao empresário Daniel Vorcaro tenham sido compartilhadas sem autorização judicial.

