A grave crise econômica enfrentada pela ilha intensificou a extrema fome em Cuba, levando milhares de moradores a procurar restos de alimentos em lixões, contêineres e áreas de descarte urbano. O cenário, que antes era considerado pontual, passou a ser observado com frequência em cidades como Havana, Santiago de Cuba, Holguín, Santa Clara e Guantánamo, segundo relatos de jornalistas independentes, ativistas e analistas locais.
A deterioração das condições de vida da população cubana ocorre em meio à inflação elevada, falta de produtos básicos e redução do poder de compra. Em diversas regiões do país, encontrar comida no lixo deixou de ser uma situação isolada para se transformar em uma alternativa de sobrevivência diária.
Extrema fome em Cuba preocupa moradores e analistas
O historiador e analista político Boris González Arenas afirmou que o agravamento da crise está diretamente relacionado às mudanças no sistema de abastecimento estatal. Em entrevista ao portal Martí Noticias, financiado pelo governo dos Estados Unidos, ele criticou a redução gradual dos produtos distribuídos pelo Estado à população.
Segundo González Arenas, a retirada desses alimentos aprofundou ainda mais a insegurança alimentar na ilha. Para ele, o monopólio estatal sobre produção e comercialização de alimentos agravou os impactos sociais enfrentados pelos cubanos.
O analista relatou ainda que a busca por comida em áreas de descarte se tornou algo comum nas ruas das principais cidades cubanas. De acordo com ele, homens, mulheres, idosos e jovens podem ser vistos diariamente revirando lixo em busca de algo para consumir.
Busca por restos de alimentos se espalha pelo país
Na cidade de Holguín, um dos exemplos mais citados é o antigo parque infantil Los Caballitos. O local, que antes recebia famílias e crianças, passou a ser utilizado por pessoas que procuram restos de comida em meio aos resíduos acumulados.
O jornalista independente Julio César Álvarez Marrero afirmou que algumas famílias chegaram a improvisar moradia próximo a lixões e aterros clandestinos. Segundo ele, há casos de pessoas que cozinham e consomem alimentos encontrados nesses locais.
Álvarez Marrero também descreveu a situação na região de Cuatro Caminos Guajabal, onde caminhões ligados a órgãos públicos descartariam alimentos deteriorados. Conforme o relato, parte desses produtos acaba sendo consumida ou revendida informalmente pela população.
Crise econômica amplia miséria na ilha
Em Santa Clara, o comunicador Guillermo del Sol afirmou que moradores aguardam o descarte de resíduos vindos de restaurantes e hospedagens para tentar conseguir algo aproveitável. Ele classificou a situação como um problema nacional que se espalhou por diferentes províncias cubanas.
Já em Guantánamo, ativistas relatam um cenário ainda mais crítico. O ativista Níober García Fournier declarou que a escassez chegou a níveis tão severos que muitas vezes nem mesmo os resíduos descartados contêm alimentos disponíveis.
A crise econômica cubana se agravou nos últimos anos com inflação crescente, desvalorização da moeda local e dificuldades de abastecimento. Relatos de opositores ao governo indicam que salários e aposentadorias equivalem a poucos dólares mensais no mercado informal, enquanto o custo da cesta básica supera a capacidade financeira de grande parte da população.
Governo cubano nega cenário de miséria
Apesar das denúncias e relatos divulgados por jornalistas independentes e ativistas, autoridades ligadas ao Ministério do Trabalho e Seguridade Social de Cuba já negaram anteriormente a existência de pessoas vivendo em situação de mendicância ou extrema pobreza no país.
Entretanto, integrantes da sociedade civil contestam a posição oficial e afirmam que o aumento do número de pessoas buscando comida no lixo demonstra o agravamento da crise social e econômica enfrentada pela população cubana. Com prateleiras vazias em mercados estatais e preços elevados no setor privado, a dificuldade para conseguir alimentos se tornou parte da rotina em diferentes regiões da ilha.

