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7 de junho de 2026 16:46

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OpiniãoMT > Blog > Brasil > Banco de Edir Macedo usou fundos podres para esconder prejuízos
Brasil

Banco de Edir Macedo usou fundos podres para esconder prejuízos

Banco controlado por holding de Edir Macedo é investigado após operações financeiras envolvendo fundos e créditos inadimplentes.

última atualização: 18 de maio de 2026 09:48
Redação OPMT
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5 Minutos de Leitura
Banco de Edir Macedo usou fundos podres para esconder prejuízos
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O banco Digimais, ligado à holding do líder religioso Edir Macedo, passou a ser alvo de questionamentos após documentos apontarem a utilização de fundos de investimento para retirar centenas de milhões de reais em créditos inadimplentes de seus balanços financeiros. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e envolvem auditorias, contratos, balanços contábeis e processos judiciais relacionados às operações da instituição financeira.

Segundo os documentos obtidos pela reportagem, o banco apresentou lucro de R$ 31 milhões ao final de 2025, apesar de parte relevante dos ativos considerados problemáticos ter sido transferida para fundos vinculados à própria estrutura financeira da instituição.

Operações envolvendo fundos chamam atenção do mercado

De acordo com a apuração, o Digimais transferiu carteiras de financiamento de veículos com altos índices de inadimplência para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Embora os créditos deixassem oficialmente o balanço do banco, os fundos permaneciam ligados à instituição, que também figurava como cotista dessas estruturas.

No mercado financeiro, esse tipo de movimentação é popularmente conhecido como operação “Zé com Zé”, expressão utilizada quando uma empresa participa dos dois lados da negociação. Especialistas ouvidos pela reportagem classificaram a prática como um fator de risco regulatório elevado.

Fontes ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus afirmaram, sob condição de anonimato, que os fundos passaram a ser utilizados para retirar ativos considerados problemáticos das demonstrações financeiras do banco.

Edir Macedo e o histórico do Digimais

O Digimais foi adquirido por Edir Macedo em 2020. Antes disso, a instituição operava como Banco Renner. Após a compra, o banco passou a atuar principalmente no financiamento de veículos usados e no crédito consignado. Relatos de vendedores credenciados indicam que o banco concentra operações voltadas a veículos antigos e clientes considerados de maior risco de inadimplência, perfil geralmente evitado por grandes instituições financeiras.

Dados do Banco Central apontaram que, em dezembro de 2025, o Digimais figurava entre as maiores taxas de juros do financiamento de veículos no país, cobrando 2,97% ao mês e 41,07% ao ano.

Fundo Tabor concentra altos índices de inadimplência

Entre as estruturas citadas nos documentos está o fundo Tabor. Dados de abril de 2026 indicavam que o fundo possuía cerca de R$ 960 milhões em carteiras de crédito. Desse total, aproximadamente R$ 575 milhões estavam inadimplentes. Ainda conforme os registros, mais de R$ 200 milhões correspondiam a parcelas vencidas há até 720 dias. Especialistas em perícia contábil apontaram preocupação com a possibilidade de recuperação desses valores.

O perito Alexandre Ripamonti afirmou ao jornal que o cenário financeiro do fundo indicaria dificuldade para reaver os recursos. Segundo ele, o encerramento da estrutura seria o caminho mais provável diante da situação apresentada.

Enquanto isso, o Digimais declarou em dezembro de 2025 cerca de R$ 366 milhões em créditos vencidos ligados ao financiamento de veículos. Porém, somente o fundo Tabor já registrava quase R$ 479 milhões em inadimplência, valores que não apareciam detalhados diretamente nos balanços da instituição financeira.

Auditoria questionou operações da holding de Edir Macedo

Outra operação destacada nos documentos envolve o fundo Hermon. A holding ligada a Edir Macedo adquiriu R$ 741 milhões em cotas desse fundo que anteriormente pertenciam ao Digimais. O fundo Hermon possui direitos relacionados a uma disputa judicial envolvendo a antiga Companhia de Mineração e Siderurgia, incorporada durante o governo de Getúlio Vargas no processo que deu origem à Vale.

Segundo estimativas do próprio fundo, o processo poderia resultar em R$ 2,2 bilhões em indenizações judiciais. No entanto, a disputa tramita há décadas e ainda enfrenta divergências relacionadas aos cálculos de pagamento.

Auditores independentes apontaram preocupação com a operação e registraram, em parecer anexado às demonstrações financeiras, que a negociação poderia não refletir condições consideradas usuais de mercado. O documento também mencionou ausência de remuneração compatível e dependência de futuros aportes financeiros dos controladores.

Polícia Federal acompanha o caso

Integrantes do mercado financeiro relataram ao Estadão que as operações realizadas pelo Digimais dificultariam a fiscalização contábil e poderiam melhorar artificialmente os indicadores financeiros apresentados ao mercado. Segundo a reportagem, a Polícia Federal investiga o banco por suspeitas de fraudes relacionadas às movimentações financeiras e à utilização dos fundos de investimento. Até o momento, o Digimais não divulgou posicionamento oficial sobre o caso. A Igreja Universal do Reino de Deus também não comentou as informações publicadas.

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