*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O segundo episódio do podcast PODOpinar, comandado pelo professor Haroldo Arruda e pela jornalista Sêmia Mauad, recebeu nos estúdios o produtor rural Antônio Galvan. Ex-presidente da Aprosoja Brasil e da Aprosoja Mato Grosso, e atual pré-candidato ao Senado pelo Avante, Galvan não poupou críticas à condução das políticas federais para o agronegócio e reforçou a necessidade de uma representatividade mais firme de Mato Grosso em Brasília.
Durante a conversa, os temas centrais giraram em torno da segurança jurídica no campo, os gargalos logísticos para o escoamento da produção e o papel estratégico do estado no equilíbrio da política nacional.
POLÊMICA SOBRE ÁUDIOS VAZADOS DE FLÁVIO BOLSONARO E VORCARO
Questionado sobre o desgaste envolvendo áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Vorcaro, Galvan minimizou a situação, classificando-a como uma narrativa política da oposição.
“É normal em posição política, a oposição quer criar esse desgaste. Não estamos falando de contratação de trabalho como aconteceu com todos aqueles advogados que a Master contratou, inclusive ligados a ministros da Suprema Corte. O que temos até agora é uma negociação, simplesmente financiamento do banco para poder fazer um filme. Eles financiaram também um filme do Lula”, ponderou o entrevistado.
CRÍTICAS AO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E CARLOS FÁVARO
Um dos momentos mais contundentes da entrevista foi a análise de Galvan sobre a gestão do Ministério da Agricultura sob o comando de Carlos Fávaro. Para o convidado, o setor vive um retrocesso impulsionado por interesses puramente políticos.
“O que nós vemos hoje é um Ministério da Agricultura que virou um puxadinho político. (Fávaro) está lá para servir a um projeto de governo que não gosta do produtor, que chama a gente de fascista. Não dá para sentar à mesa com quem quer destruir o direito de propriedade e achar que está tudo bem”, disparou Galvan.
INSEGURANÇA JURÍDICA
A preocupação com o direito de propriedade foi o ponto alto da defesa de Galvan pela segurança jurídica. Ele classificou como um “tapa no rosto” do produtor a condescendência do governo federal com movimentos sociais que promovem invasões de terra.
“O produtor rural hoje não dorme tranquilo. Quando você tem um presidente que diz que ‘faz tempo que não se invade terra’, enquanto a gente vê acontecendo na nossa cara, o governo se torna cúmplice da desordem. Onde não se respeita o direito de propriedade, não existe democracia e nem produção”, afirmou.
LOGÍSTICA E O ” CRIME” CONTRA A FERROGRÃO
Galvan também detalhou as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor, citando os altos juros do Plano Safra e a queda no preço das commodities como fatores que têm levado muitos produtores a trabalharem “no vermelho”. Para ele, a solução passa obrigatoriamente pela infraestrutura.
Defensor ferrenho da Ferrogrão, o produtor classificou a paralisação da obra como um crime contra a economia mato-grossense.
“Travam uma obra vital por ideologia ambiental barata. Nós estamos pagando um frete que come todo o nosso lucro. Mato Grosso carrega o Brasil nas costas e recebe em troca estradas esburacadas e ferrovias no papel”, lamentou.
QUADRO DIGORESTE OU BOBÓ CHEIRA-CHEIRA
No encerramento do programa, Galvan participou do tradicional quadro de opiniões curtas, utilizando gírias regionais para classificar personalidades e temas.
-MST: Classificado como “Bobó Cheira-Cheira” (ruim/desagradável). Galvan definiu o movimento como inimigo da produção.
-Coronel Fernanda: Recebeu o selo “Digoreste” (excelente). Galvan justificou a escolha pela lealdade da deputada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e sua firme atuação na bancada ruralista.
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