O Grupo Toky, responsável pelas marcas Tok&Stok e Mobly, anunciou nesta terça-feira (12) o pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida foi tomada em meio ao agravamento da crise financeira enfrentada pela companhia, que acumula dívidas estimadas em cerca de R$ 1,1 bilhão. Segundo a empresa, fatores econômicos como juros elevados, crédito restrito e queda no consumo afetaram diretamente as operações e reduziram o fluxo de caixa do grupo.
Tok&Stok busca reorganizar dívidas na Justiça
De acordo com informações divulgadas pela companhia, o pedido de recuperação judicial tem como principal objetivo garantir a continuidade das atividades enquanto a empresa negocia suas obrigações financeiras com credores.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Grupo Toky afirmou que já vinha tentando reestruturar o endividamento da Tok&Stok nos últimos meses. No entanto, mesmo após negociações com instituições financeiras e parceiros, a situação financeira continuou se deteriorando.
A recuperação judicial permite que empresas em dificuldades financeiras suspendam temporariamente cobranças e processos relacionados às dívidas, criando um ambiente para renegociação sem interrupção imediata das operações.
O processo foi protocolado sob segredo de justiça no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Crise no setor afetou vendas da Tok&Stok
Segundo o grupo, o mercado de móveis e decoração atravessa um período de retração desde a pandemia de Covid-19. A companhia destacou que o aumento dos juros, o alto nível de endividamento das famílias brasileiras e o crédito mais limitado reduziram significativamente o consumo de bens duráveis.
A empresa também informou que precisou fechar mais de 17 lojas nos últimos anos como parte das tentativas de contenção de despesas e reorganização operacional. Ainda conforme a petição apresentada à Justiça, o cenário econômico adverso comprometeu a geração de caixa e dificultou a manutenção do equilíbrio financeiro da companhia.
Tentativas anteriores de recuperação financeira
Em 2023, o grupo já havia iniciado um plano de reorganização das finanças. Entre as medidas adotadas estavam a renegociação de aproximadamente R$ 339 milhões em dívidas bancárias, um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e um aporte de R$ 100 milhões realizado pelos acionistas.
Apesar das iniciativas, o Grupo Toky informou que os resultados esperados não foram alcançados, levando a empresa a buscar novas alternativas para evitar um agravamento ainda maior da crise.
Pedido cita “risco de dano irreparável”
Na documentação encaminhada à Justiça, a companhia afirmou que enfrenta risco de colapso operacional caso medidas urgentes não sejam adotadas. O grupo pediu proteção judicial imediata para impedir impactos considerados irreversíveis nas atividades.
Entre os pedidos feitos está a liberação de aproximadamente R$ 77 milhões referentes a vendas realizadas por cartão de crédito que estariam retidos pela SRM Bank. Segundo a empresa, a indisponibilidade desses recursos afetou diretamente o caixa e colocou em risco obrigações essenciais, incluindo salários de mais de 2 mil funcionários.
Além disso, o Grupo Toky solicitou a suspensão de cobranças e execuções de dívidas pelo prazo de 180 dias, período conhecido como “stay period”, utilizado em processos de recuperação judicial.
Serviços essenciais devem ser mantidos
Outro ponto destacado pela empresa envolve a continuidade de contratos considerados fundamentais para o funcionamento das operações. O grupo pediu que não haja interrupção em serviços relacionados à logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água.
Segundo a companhia, a manutenção dessas estruturas é indispensável para preservar as atividades comerciais e evitar impactos ainda maiores sobre clientes, fornecedores e funcionários.
Mudanças no conselho e negociações com investidores
Antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, o Grupo Toky informou que quatro fundos administrados pela SPX Capital estavam em estágio avançado de negociações para vender integralmente sua participação na empresa, incluindo ações e bônus de subscrição.
No mesmo período, dois membros do conselho de administração deixaram seus cargos: Fernando Porfirio Borges e Felipe Fonseca Pereira. As movimentações ocorreram em meio ao processo de tentativa de reorganização financeira do grupo.

