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7 de julho de 2026 17:46

OpiniãoMT > Blog > Brasil > 68,7 milhões de brasileiros vivem sob regime de facções, diz pesquisa
Brasil

68,7 milhões de brasileiros vivem sob regime de facções, diz pesquisa

Pesquisa revela que milhões de brasileiros convivem com facções e crime organizado em bairros e comunidades.

última atualização: 11 de maio de 2026 18:19
Redação OPMT
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4 Minutos de Leitura
68,7 milhões de brasileiros vivem sob regime de facções criminosas, diz pesquisa
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A presença de facções criminosas e milícias faz parte da rotina de aproximadamente 68,7 milhões de brasileiros, segundo levantamento realizado pelo Instituto Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo mostra que 41% da população afirma perceber a atuação do crime organizado nas regiões onde vive, evidenciando o avanço dessas organizações em diferentes áreas do país.

A pesquisa foi divulgada neste domingo, 10, e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. As entrevistas aconteceram nos dias 9 e 10 de março, com margem de erro estimada em dois pontos percentuais.

Pesquisa mostra percepção crescente do crime organizado

De acordo com os dados apresentados pelo levantamento, pouco mais da metade dos entrevistados, equivalente a 51%, declarou não notar atuação do crime organizado em seus bairros. Outros 7% disseram não ter opinião formada ou não souberam responder à pergunta.

Apesar disso, o estudo indica que a sensação de convivência com grupos criminosos é mais intensa nos grandes centros urbanos. Nessas localidades, 56% dos participantes afirmaram perceber a presença de organizações ligadas ao tráfico, milícias e outras estruturas criminosas.

Os números também apontam que parte da população acredita que essas organizações exercem influência direta sobre decisões e comportamentos nas comunidades. Cerca de 35% dos entrevistados avaliam que o crime organizado interfere em regras locais e no cotidiano das regiões onde atua.

Facções ampliam influência sobre serviços e rotina da população

O levantamento mostra ainda que a atuação das facções vai além da violência e alcança setores econômicos e atividades consideradas essenciais. Segundo os dados, 12,5% das pessoas afirmaram sentir algum tipo de obrigação para contratar serviços indicados por criminosos, incluindo internet, fornecimento de água e energia elétrica.

Outro dado revelado pela pesquisa aponta que 9% dos entrevistados disseram sofrer pressão para consumir determinados produtos ou marcas definidos por integrantes desses grupos. Especialistas em segurança pública destacam que esse tipo de prática demonstra a expansão territorial e econômica das organizações criminosas, que passam a influenciar diretamente o funcionamento das comunidades.

Medo da violência altera hábitos da população

A insegurança também aparece como um dos reflexos mais presentes na rotina dos brasileiros. O estudo aponta que aproximadamente 75% dos entrevistados evitam frequentar determinados locais por receio da violência. Essa mudança de comportamento afeta principalmente moradores de áreas urbanas e regiões periféricas, onde conflitos ligados ao tráfico de drogas e disputas territoriais costumam ocorrer com maior frequência.

Além da limitação da circulação, a pesquisa sugere que o medo interfere na qualidade de vida da população, impactando deslocamentos, lazer e relações sociais.

Jovens e adolescentes estão entre as maiores preocupações

Outro ponto destacado pelo levantamento envolve o receio das famílias em relação ao recrutamento de jovens pelo tráfico de drogas. Segundo os dados divulgados, 71% dos entrevistados afirmaram temer que parentes ou pessoas próximas possam se envolver com o narcotráfico.

A preocupação cresce diante do aumento da presença das facções em comunidades vulneráveis, onde adolescentes frequentemente são expostos à influência de grupos criminosos. Em muitos casos, o tráfico é apontado como uma alternativa de renda em regiões marcadas por desigualdade social e falta de oportunidades. O estudo reforça ainda que a expansão dessas organizações não se limita apenas às atividades ilícitas tradicionais, alcançando também aspectos sociais e econômicos das comunidades brasileiras.

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