Os Correios encerraram o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, resultado que representa mais que o triplo das perdas registradas em 2024, quando o déficit foi de R$ 2,6 bilhões. Os números foram apresentados em Brasília durante uma coletiva de imprensa conduzida pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon. O desempenho negativo marca o pior resultado recente da empresa e consolida uma sequência de quatro anos consecutivos no vermelho, acumulando 14 trimestres seguidos de perdas desde o fim de 2022.
Correios enfrentam impacto de precatórios e queda de receita
Grande parte do prejuízo dos Correios em 2025 está relacionada ao pagamento de precatórios, que são dívidas judiciais definitivas. Do total registrado, cerca de R$ 6,4 bilhões foram destinados a essas obrigações, um crescimento superior a 55% em comparação com o ano anterior.
Dívidas trabalhistas pressionam resultados
O passivo judicial da estatal é composto majoritariamente por ações trabalhistas. Entre os principais fatores estão adicionais de periculosidade e compensações relacionadas às atividades externas de distribuição e coleta. Uma parcela significativa dessas dívidas, estimada em R$ 2,63 bilhões, tem origem em gestões anteriores, conforme reconhecido pela própria empresa.
Além das despesas com precatórios, a queda na arrecadação também contribuiu para o resultado negativo. A receita bruta dos Correios apresentou retração de 11,35%, totalizando R$ 17,3 bilhões em 2025. Outro indicador que reflete a situação financeira da estatal é o patrimônio líquido, que atingiu valor negativo de R$ 13,1 bilhões.
Plano de reestruturação dos Correios mira recuperação até 2027
Diante do cenário adverso, a direção dos Correios apresentou um plano de reestruturação que começou a ser implementado ainda em novembro de 2025. O programa está dividido em três etapas principais: recuperação financeira, consolidação operacional e crescimento sustentável.
Medidas incluem cortes e modernização
Entre as ações previstas estão a implementação de um Programa de Demissão Voluntária, a venda de imóveis com potencial de arrecadação de até R$ 1,5 bilhão e a redução de até mil unidades de atendimento consideradas deficitárias. Também está prevista a modernização tecnológica da empresa como forma de aumentar a eficiência operacional.
Para garantir a continuidade das atividades durante o processo de reestruturação, a estatal negociou uma linha de crédito que pode chegar a R$ 20 bilhões. A operação conta com o aval do Tesouro Nacional e envolve instituições financeiras públicas e privadas.
Expectativa de redução do déficit nos próximos anos
A projeção dos Correios é de que, com a execução das medidas previstas, o déficit seja reduzido ao longo de 2026. A expectativa da empresa é alcançar equilíbrio financeiro e retomar a lucratividade até o ano de 2027.

