*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A categoria dos taxistas da Capital vive o que define como um “estrangulamento financeiro”. Com as tarifas congeladas há mais de uma década, os profissionais formalizaram uma comissão para cobrar do prefeito Abilio Brunini (PL) a atualização dos valores. O porta-voz do movimento, Joenilson Jesus de Campos, taxista há 25 anos, descreve um cenário devastador onde a inflação corroeu a dignidade da profissão.
Para Joenilson, a defasagem não é apenas um número, mas um impacto direto na segurança e na manutenção dos veículos que circulam pelas ruas de Cuiabá.
“O impacto é devastador. Quando dizemos que estamos vendendo o almoço para comprar a janta, não é força de expressão. O preço da gasolina, do diesel e das peças de reposição subiu mais de 100% na última década, enquanto nossa tarifa estagnou. Isso estrangula nossa capacidade de investimento”, desabafa o profissional.
Ele destaca que o clima de Cuiabá impõe custos extras que não são considerados na planilha atual.
“Fazemos milagre para manter o veículo limpo e seguro sob um calor de 40 graus, que exige ar-condicionado 100% do tempo. Hoje, o profissional precisa trabalhar 14 ou 16 horas por dia para levar para casa o mesmo que levava há 10 anos”.
Os taxistas argumentam que o processo administrativo já percorreu todos os trâmites legais na Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) e na Procuradoria Geral do Município (PGM). Segundo a categoria, não restam impedimentos jurídicos, apenas a decisão do Executivo.
“O que falta agora é a vontade política, a assinatura do prefeito. A categoria acredita que a demora se deve a uma visão equivocada de que o reajuste seria impopular. Mas o que é impopular é o sucateamento de um serviço público essencial”, afirma Joenilson.
DESRESPEITO À LEI: O ARTIGO 29 IGNORADO
A base jurídica da reivindicação é a Lei Ordinária nº 5.090/2008. O artigo 29 estabelece que as tarifas devem ser calculadas pelo menos uma vez por ano. No entanto, Joenilson aponta uma “negligência histórica” das gestões anteriores.
A meta da comissão é que, após este reajuste emergencial, seja criada uma mesa técnica para que a atualização se torne automática, baseada no IPCA ou no preço dos combustíveis. “A lei existe para ser cumprida, mas o gatilho da atualização nunca foi acionado automaticamente. Queremos um canal permanente para nunca mais chegarmos a esse abismo de 10 anos de defasagem”, explica.
DISTORÇÃO TÉCNICA E O RISCO DE “APAGÃO”
Atualmente, Cuiabá pratica uma das tarifas mais baixas do país, com a bandeirada unificada em R$ 4,80 tanto para a Bandeira 1 quanto para a 2, algo que Joenilson classifica como um erro técnico.
A proposta da categoria é elevar a bandeirada para R$ 6,50, com o quilômetro rodado passando para R$ 4,54 (B1) e R$ 5,44 (B2).
“Quem trabalha de madrugada, feriados ou domingos abre mão do convívio familiar em horários penosos. Sem uma Bandeira 2 atrativa, corremos o risco de um apagão de táxis nas madrugadas da Capital, pois o custo de operar nesses horários simplesmente não se paga hoje”, alerta o porta-voz.
Mesmo com a concorrência dos aplicativos, a categoria defende que o táxi continua sendo o modal mais eficiente para quem tem pressa e preza por segurança, devido ao uso das faixas exclusivas e ao cadastro rigoroso dos motoristas profissionais.

