*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O caso de Marcos Pereira Soares, 23 anos, ganha contornos ainda mais sombrios com a revelação de imagens de segurança e o depoimento de uma nova vítima. A designer de unhas Luanny Santos, proprietária de um estúdio no bairro Três Barras, revelou que foi “caçada” pelo suspeito na noite da última terça-feira, dia 10 de março, mesma data em que a irmã de Marcos, de 17 anos, desapareceu antes de ser encontrada morta.
As filmagens mostram Marcos rondando o estabelecimento e tentando convencer a empresária a abrir a porta sob o pretexto de trocar dinheiro. O comportamento do suspeito, que chegou a agachar para observar Luanny por frestas na porta de vidro, reforça a tese da polícia de que ele agia como um predador.
O RELATO DA VÍTIMA: “ELE VIU QUE EU ESTAVA SOZINHA”
Luanny descreve que o perigo foi sentido de forma instintiva. Segundo ela, Marcos apareceu por volta das 22h, quando ainda havia clientes, mas retornou assim que percebeu que ela estava sozinha.
“Eu olhei na cara dele e vi um demônio, eu vi um bicho na cara dele. Ele ficou na árvore escondido e viu que eu fechei a cortina, foi até a porta pra ficar me observando. Eu senti que esse demônio estava me observando, ele escutou eu ligando [para pedir ajuda]”, desabafou a designer.
A empresária só conseguiu sair do local quando um amigo foi buscá-la. Para ela, não restam dúvidas:
“Ele queria fazer comigo o que fez com a própria irmã”.
DHPP INVESTIGA PERFIL DE “CRIMINOSO SEXUAL EM SÉRIE”
A delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), confirmou que as imagens já estão em posse da polícia. A linha de investigação aponta para um perfil extremamente perigoso.
“Tudo leva a crer, pelo comportamento dele, que há indícios de um criminoso sexual em série. Vamos verificar se houve perseguição ou se efetivamente ocorreu tentativa de crime contra a dignidade sexual dela”, explicou a delegada.
ENTENDA O ERRO DO JUDICIÁRIO: A FALHA QUE LIBERTOU O CRIMINOSO
O corregedor-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Luiz Leite Lindote, instaurou um procedimento administrativo para apurar por que Marcos estava solto. O suspeito é condenado por homicídio e possui histórico de estupro, mas deixou a prisão no sábado, dia 7 de março, devido a um erro de checagem de dados.
A FALHA DOS DOIS RJIS
O sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) utiliza o Registro Judicial Individual (RJI). No caso de Marcos, havia dois registros diferentes vinculados ao seu nome:
RJI 1: Referente a uma prisão preventiva por violência doméstica (que foi revogada).
RJI 2: Referente à condenação de 2023 pelo assassinato brutal de um idoso em 2020.
Ao expedir o alvará de soltura, os servidores checaram apenas o primeiro registro, ignorando a condenação existente no segundo. Marcos saiu pela porta da frente da unidade prisional como se tivesse a ficha limpa.
CRONOLOGIA DO ERRO FATAL
No sábado, dia 7 de março, Marcos é solto indevidamente por falha na unificação de seus registros criminais.
Na terça, dia 10 de março, a irmã de Marcos desaparece. A noite, Marcos tenta invadir o estúdio de Luanny Santos e a persegue. Na quarta-feira, dia 11 de março, o corpo da irmã é encontrado em um córrego, amarrado a raízes e submerso por uma pedra. O juiz Geraldo Fidelis identifica o erro no sistema e declara Marcos foragido. E na quinta-feira, dia 12 de março, o suspeito é capturado e preso novamente.
PERFIL DE ALTA PERICULOSIDADE
Além do recente assassinato da irmã e da perseguição à designer, Marcos Pereira possui condenação pelo assassinato de Severino Messias Santos (corpo enterrado em cova rasa em 2020) e antecedentes por tráfico de drogas e roubo, corrupção de menores e estupro de vulnerável.
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