O homem conhecido como Sicário, apontado como braço direito do banqueiro Daniel Vorcaro, permanece em estado gravíssimo após ser socorrido dentro da sede da Polícia Federal em Belo Horizonte. Preso durante a Operação Compliance Zero, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão foi levado a um hospital depois de uma tentativa de suicídio registrada enquanto aguardava audiência de custódia.
Estado de saúde é considerado gravíssimo
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais informou na quinta-feira (5) que o quadro clínico de Mourão é extremamente delicado. Ele está internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) e segue sob cuidados médicos intensivos. Inicialmente, houve informações indicando morte cerebral do paciente. No entanto, minutos depois, autoridades estaduais atualizaram os dados e esclareceram que ele ainda estava vivo, embora em condição crítica.
Mourão foi socorrido após ser encontrado dentro da cela onde estava detido, na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte. O atendimento de emergência foi realizado imediatamente pelos agentes que estavam no local.
Atendimento emergencial dentro da PF
Segundo comunicado oficial da Polícia Federal, os agentes iniciaram procedimentos de reanimação assim que perceberam a situação. De acordo com a nota divulgada pela corporação, os policiais também acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que realizou o transporte do detido para atendimento hospitalar. O episódio ocorreu poucas horas depois da prisão de Mourão durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
Investigação da PF sobre a custódia de “Sicário”
A Polícia Federal abriu um inquérito para esclarecer as circunstâncias do ocorrido dentro da unidade policial. O diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, afirmou que todo o procedimento envolvendo o detido foi registrado por câmeras de segurança.
Segundo ele, as gravações não possuem pontos cegos e devem contribuir para esclarecer o que ocorreu durante o período em que Mourão esteve sob custódia. Além disso, a PF comunicou oficialmente o episódio ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Registros em vídeo serão analisados
A corporação informou ainda que todos os registros audiovisuais relacionados ao episódio serão encaminhados às autoridades responsáveis pela investigação. Esses materiais devem ajudar a esclarecer se houve falhas ou irregularidades durante a permanência do preso na unidade da Polícia Federal.
Defesa afirma que ele estava bem horas antes
Em nota, os advogados de Mourão declararam que estiveram com o cliente durante o dia da prisão. Segundo a defesa, ele apresentava plena integridade física e mental até aproximadamente 14h, quando os representantes legais deixaram a unidade policial. Após esse horário, ainda de acordo com a defesa, não houve novo contato antes da ocorrência registrada dentro da cela.
Papel de “Sicário” na investigação da Operação Compliance Zero
Relatórios da investigação apontam que Mourão exercia funções consideradas estratégicas dentro da organização investigada. Segundo documentos obtidos durante as apurações, ele atuaria no monitoramento de possíveis alvos, além de participar da coleta ilegal de informações em sistemas sigilosos.
Os investigadores também apontam que ele teria desempenhado atividades relacionadas à intimidação física e psicológica contra pessoas consideradas adversárias do banqueiro Daniel Vorcaro.
Suposto pagamento milionário
De acordo com os relatórios da investigação, há indícios de que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar essas atividades. Ele foi preso na mesma operação que resultou na detenção, pela segunda vez, do ex-dono do Banco Master.
Vorcaro é investigado por suspeitas que incluem tentativa de obstrução da Justiça, ameaças e coação de testemunhas, além de supostas irregularidades envolvendo servidores do Banco Central e possíveis fraudes no sistema bancário.

