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25 de abril de 2026 09:19

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OpiniãoMT > Blog > Brasil > Anvisa define regras para a produção de maconha no Brasil
Brasil

Anvisa define regras para a produção de maconha no Brasil

Anvisa se reúne para discutir novas regras sobre a produção de cannabis medicinal no Brasil, em cumprimento a decisão do STJ.

última atualização: 28 de janeiro de 2026 08:32
Redação OPMT
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5 Minutos de Leitura
Anvisa define regras para a produção de maconha no Brasil
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A diretoria colegiada da Anvisa realiza, nesta quarta-feira (28), uma reunião para analisar a criação de normas específicas voltadas à produção de cannabis medicinal no Brasil. O debate ocorre em Brasília e tem como foco a atualização das regras que regulam o acesso a produtos derivados da planta, em atendimento a uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Anvisa avalia revisão da norma vigente

Durante o encontro, os diretores da Anvisa discutem a possível revisão da Resolução nº 327, de 2019, que atualmente estabelece os critérios para importação, prescrição e comercialização de produtos à base de cannabis no país. A análise ocorre após decisão do STJ, proferida em novembro de 2024, que determinou a regulamentação do cultivo da planta exclusivamente para fins medicinais e farmacológicos.

A reunião está prevista para ocorrer a partir das 9h30, na sede da agência reguladora, e marca mais um passo no processo de construção de um marco regulatório para o setor.

Propostas em análise pela Anvisa

No início da semana, a Anvisa apresentou três propostas distintas de resolução. Os textos tratam da normatização do cultivo da cannabis medicinal, do desenvolvimento de pesquisas científicas com a planta e da atuação de associações de pacientes que utilizam esses produtos.

Em coletiva de imprensa, o presidente da agência, Leandro Safatle, ressaltou o crescimento significativo da demanda por produtos derivados da cannabis no Brasil ao longo da última década. Segundo ele, esse avanço é observado principalmente pelo aumento das autorizações para importações individuais.

De acordo com dados apresentados, entre 2015 e 2025, foram concedidas mais de 660 mil autorizações para importação de produtos à base de cannabis. Atualmente, a Anvisa já aprovou 49 produtos, fabricados por 24 empresas, que estão disponíveis em farmácias no país.

Exigências para produção e controle sanitário

As propostas em discussão estabelecem que o cultivo da cannabis medicinal fique restrito a pessoas jurídicas, mediante autorização prévia e inspeção sanitária. Entre os critérios de segurança previstos estão o monitoramento contínuo por câmeras, funcionamento 24 horas por dia, além do georreferenciamento das áreas de plantio.

Outro ponto destacado é a limitação do teor de tetrahidrocanabinol (THC) nos produtos, que deverá ser igual ou inferior a 0,3%. O objetivo é garantir que a produção esteja alinhada exclusivamente ao uso terapêutico e farmacológico.

Produção por associações de pacientes

As medidas também preveem a possibilidade de produção sem fins lucrativos por associações de pacientes. Nesse modelo, a Anvisa pretende avaliar a viabilidade do cultivo em pequena escala, fora do padrão industrial, por meio de chamamento público e critérios específicos de controle.

O diretor da agência, Thiago Campos, afirmou que as propostas foram elaboradas com rigor técnico e seguem diretrizes internacionais, além de estarem alinhadas à decisão do STJ e às normas da Organização das Nações Unidas e da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes.

Decisão do STJ e prazo para regulamentação

Em novembro de 2024, o STJ decidiu que a Lei de Drogas não se aplica a variedades de cannabis com baixa concentração de THC. Na ocasião, a Corte autorizou uma empresa a importar sementes com alto teor de canabidiol (CBD) e baixo teor de THC, desde que destinadas exclusivamente ao uso medicinal.

O prazo inicial para regulamentação era de seis meses, mas foi prorrogado em novembro de 2025 após solicitação da Advocacia-Geral da União. Desde então, a Anvisa informou ter iniciado etapas como consultas públicas, elaboração de documentos técnicos e planejamento do monitoramento sanitário após a regulamentação.

A estimativa da Anvisa é que mais de 670 mil pessoas utilizem atualmente produtos à base de cannabis no Brasil. O acesso, segundo a agência, ocorre majoritariamente por meio de decisões judiciais. Desde 2022, o Ministério da Saúde já atendeu cerca de 820 determinações judiciais relacionadas à oferta desses produtos.

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