*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil deu um passo decisivo na coleta de provas durante a Operação Gorjeta, deflagrada na manhã da última terça-feira, dia 27 de janeiro. Além do afastamento do vereador Chico 2000 (PL), os agentes realizaram buscas minuciosas no setor de informática da Câmara Municipal de Cuiabá, apreendendo dispositivos de armazenamento e imagens do circuito interno de segurança.
O procurador-geral da Câmara, Eustáquio Inácio de Noronha Neto, confirmou que a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) levou HDs contendo registros de acesso. O foco é identificar quem frequentava os gabinetes e setores administrativos da Casa.
“O setor de informática, onde ficam armazenadas as imagens de entrada e saída, [foi alvo] com o objetivo de tentar esclarecer, confirmar ou não a entrada e saída de pessoas que são objetos da investigação. Vimos que alguns documentos e HDs foram levados da Câmara, em especial a informação relativa à frequência de entrada”, explicou o procurador.
O ESQUEMA INVESTIGADO
A operação busca desarticular uma associação criminosa voltada ao peculato e lavagem de dinheiro. Segundo a Deccor, o vereador Chico 2000 utilizava emendas parlamentares como moeda de troca: os recursos eram destinados a um instituto ou empresa parceira e, após a liberação pela Secretaria de Esportes ou pela própria Câmara, uma parte dos valores era “devolvida” ao parlamentar.
Ao todo, a Justiça autorizou 75 ordens judiciais, que incluem bloqueio de R$ 676.042,32 em contas bancárias, sequestro de bens de luxo, incluindo 7 veículos, 1 embarcação e 4 imóveis.
HISTÓRICO DE CRISES
O afastamento de Chico 2000 ocorre em um momento de fragilidade política para o vereador, que já havia sido alvo de outras duas operações em 2025:
-Operação Perfídia (Abril/2025): Suspeita de propina de R$ 250 mil ligada às obras do Contorno Leste.
-Operação Rescaldo (Junho/2025): Investigação da Polícia Federal sobre supostos crimes eleitorais no pleito de 2024.
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