*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O silêncio tomou conta do plenário do Fórum de Nova Mutum na manhã desta quinta-feira , dia 22 de janeiro, quando Sandra Cattani, mãe da produtora rural Raquel Cattani e esposa do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), sentou-se diante do júri para relatar um dos capítulos mais dolorosos da vida dela. Ela detalhou desde o último contato com a filha até o pesadelo de encontrá-la sem vida.

Às 11h35, Sandra narrou os minutos que ficarão marcados na memória. Ao estranhar o sumiço da filha naquela manhã, ela foi até a residência de Raquel. Ao abrir a porta, viu a filha caída. Inicialmente, ela acreditou que Raquel teria tido um mal-estar ou uma queda.
“Tentei levantá-la, tentei chamá-la”, relembrou emocionada. Naquele instante, Sandra compreendeu que Raquel estava morta.
Sandra detalhou o dia anterior ao crime (11h36). Ela relatou que Romero Xavier foi até a casa da família para buscar os filhos, já que o dia seguinte seria aniversário de um deles. Durante o almoço, Raquel demonstrou o distanciamento definitivo. Evitou tirar fotos ao lado do ex-companheiro.
O que chamou a atenção da mãe foi a atitude de Romero ao se despedir. Chorou na frente da família. Para a acusação, o gesto foi uma encenação, já que, horas depois, Raquel seria executada. O último contato entre mãe e filha ocorreu no fim daquela tarde, quando Raquel comentou que passaria na casa de uma amiga para provar um vestido antes de viajar.

Questionada pelo Ministério Público às 11h46 sobre os netos, Sandra emocionou o plenário. As crianças, que sabem da morte da mãe, vivem sob o peso da saudade. A filha mais nova de Raquel mantém um vínculo com a memória da mãe. Pede constantemente para ver fotos e vídeos e usa camiseta que faz referência à Raquel. “Ele acabou com a vida dos filhos dela, tirou o direito de eles terem a mãe”, desabafou Sandra.
Sandra confirmou que Raquel vivia um ciclo de idas e vindas com o ex, mas que, há 30 dias, estava decidida pela separação definitiva. O depoimento revelou o lado invasivo de Romero, que acessava o celular de Raquel sem permissão e expunha conversas privadas da vítima em grupos de WhatsApp da comunidade.
A mãe também reconheceu o perfume encontrado na casa de Rodrigo Xavier (o executor). Sandra afirmou que era o mesmo frasco com o qual ela havia presenteado a filha.
Ao final de sua fala, às 12h09, Sandra foi categórica sobre o que espera do Conselho de Sentença.
“Espero que Deus amenize a dor. A Raquel faz muita falta. Eu creio que vai ser feita justiça. O mínimo que espero é que sejam condenados e peguem a pena máxima, mas isso não vai trazer ela de volta.”

Ela descreveu Raquel como uma mulher “trabalhadora, simples e dedicada”, uma produtora de queijos em ascensão que cuidava sozinha de tudo, mas que teve a vida ceifada por alguém que não aceitava o fim do relacionamento.
Às 12h17, a juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski suspendeu o julgamento para um intervalo de almoço de uma hora.
Os trabalhos devem ser retomados no início da tarde com novas oitivas.

