A chamada pressão de Moraes envolvendo o Banco Central, o Banco Master e investigações conduzidas pela Polícia Federal passou a circular nos bastidores de Brasília e ganhou destaque após reportagens recentes. Autoridades e representantes do sistema financeiro relatam ter ouvido versões sobre uma possível atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em favor da instituição bancária, o que é negado oficialmente pelo magistrado, pelo STF e por integrantes da Polícia Federal.
Relatos sobre pressão de Moraes no Banco Central
De acordo com informações repassadas por banqueiros e autoridades da capital federal, Alexandre de Moraes teria buscado contato com o Banco Central para tratar de interesses relacionados ao Banco Master. Esses relatos indicam que o magistrado teria questionado o andamento da operação de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), em contatos telefônicos e também em uma reunião presencial.
A pressão de Moraes, segundo essas versões, teria sido direcionada ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. No entanto, o ministro nega qualquer tentativa de interferência e afirma que não houve ligações nem tratativas sobre o banco.
Reportagem do jornal O Globo
A colunista Malu Gaspar publicou que Moraes teria feito ao menos três ligações ao presidente do Banco Central para tratar do caso, além de um encontro presencial. A reportagem também relembra que o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, após a prisão de seu presidente, Daniel Vorcaro, em novembro, durante operação da Polícia Federal.
Suposta atuação junto à Polícia Federal
Além das menções ao Banco Central, os rumores sobre a pressão de Moraes também chegaram à cúpula da Polícia Federal. Informações extraoficiais indicam que o ministro teria demonstrado interesse no andamento das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo essas versões, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, teria comunicado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caso e ouvido como resposta a orientação para que fossem tomadas as providências necessárias. Rodrigues, porém, nega essa narrativa.
Negativas da Polícia Federal
Questionado, Andrei Rodrigues afirmou que nunca tratou do tema com Alexandre de Moraes. Ele declarou que mantém diálogo frequente com o ministro devido a inquéritos relatados no STF, mas ressaltou que o assunto Banco Master jamais foi mencionado. O delegado-geral também negou ter levado qualquer informação sobre o tema ao presidente da República.
Envolvimento do escritório da esposa de Moraes
Outro ponto citado nos relatos envolve Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que atua como advogada do Banco Master. Conforme revelado anteriormente, o escritório do qual ela faz parte teria firmado contrato de R$ 129 milhões com a instituição financeira.
Sobre esse aspecto, o STF informou que o escritório de advocacia da esposa do ministro não participou da operação de aquisição envolvendo o BRB e o Banco Master perante o Banco Central.
Nota oficial do STF e do ministro
Em nota divulgada, o Supremo Tribunal Federal afirmou que Alexandre de Moraes nega qualquer tentativa de intervenção. O comunicado esclarece que o ministro se reuniu com o presidente do Banco Central apenas para tratar das sanções impostas pela Lei Magnitsky, que o atingiram e posteriormente também sua esposa.
Segundo o texto, não houve discussão sobre o Banco Master, nem ligações telefônicas entre Moraes e Galípolo para tratar desse ou de qualquer outro tema. O Banco Central confirmou apenas a existência do encontro relacionado à Lei Magnitsky, sem detalhar outros assuntos.
As informações sobre uma suposta pressão de Moraes envolvendo o Banco Central, o Banco Master e a Polícia Federal seguem cercadas de versões conflitantes. Enquanto relatos de bastidores apontam para tentativas de influência, Alexandre de Moraes, o STF, o Banco Central e a Polícia Federal negam qualquer interferência ou atuação irregular. Até o momento, não há confirmação oficial de irregularidades relacionadas ao caso.

