As mobilizações de trabalhadores dos Correios e Petrobras marcaram o início da semana com paralisações nacionais e regionais, motivadas por impasses nas negociações dos acordos coletivos de trabalho. Sindicatos das duas estatais alegam falta de avanços em pontos considerados essenciais, enquanto as empresas afirmam adotar medidas para garantir a continuidade dos serviços.
Paralisação no sistema Petrobras
Trabalhadores vinculados ao sistema Petrobras iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado a partir da zero hora desta segunda-feira (15). De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a mobilização começou ainda na madrugada, com a transferência das operações de plataformas localizadas no Espírito Santo e no Norte Fluminense para equipes de contingência.
Unidades afetadas pela greve
A FUP informou que o Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas, registrou adesão total ao movimento. Ainda pela manhã, empregados de seis refinarias ligadas às bases da federação deixaram de realizar a troca de turno prevista para as 7h. Entre as unidades citadas estão refinarias em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Motivos do movimento
Segundo as entidades sindicais, a paralisação foi decidida após a rejeição da segunda contraproposta apresentada pela estatal para o Acordo Coletivo de Trabalho. Os sindicatos afirmam que a proposta não apresentou soluções consideradas satisfatórias para questões relacionadas aos planos de equacionamento de déficit da Petros, ao plano de cargos e salários e à defesa de um modelo de atuação da empresa voltado ao fortalecimento da estatal.
Posição da Petrobras
Em comunicado oficial, a Petrobras reconheceu a ocorrência de manifestações em algumas unidades, mas afirmou que não houve impacto na produção de petróleo e derivados. A empresa destacou que medidas de contingência foram acionadas para assegurar a continuidade das operações e garantir o abastecimento do mercado, além de reforçar a disposição para manter o diálogo com as representações sindicais.
Greve dos trabalhadores dos Correios
Além da mobilização no setor de energia, os Correios e Petrobras concentram atenção após sindicatos de trabalhadores dos Correios aprovarem greve geral por tempo indeterminado em diferentes Estados. A paralisação começou às 22h desta terça-feira (16) em pelo menos sete unidades da federação.
Estados com adesão ao movimento
A decisão foi tomada em assembleias realizadas nas bases sindicais de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. Em São Paulo, a paralisação foi aprovada por trabalhadores, apesar de orientação contrária da direção sindical estadual. Também aderiram ao movimento bases regionais do interior paulista e do Paraná.
Reivindicações da categoria
Os sindicatos afirmam que a greve é resultado da falta de consenso com a direção da estatal sobre o novo acordo coletivo. Entre as principais reivindicações estão reajustes salariais, manutenção de benefícios e a concessão de um abono de fim de ano. Os trabalhadores alegam que não receberam propostas de recomposição baseadas na inflação e contestam medidas associadas à situação financeira da empresa.
Mediação no TST e cenário financeiro
O Tribunal Superior do Trabalho vem promovendo reuniões de mediação entre representantes sindicais e a direção dos Correios desde a semana passada, mas ainda não houve acordo. O atual acordo coletivo está vencido desde julho e vem sendo prorrogado enquanto as negociações seguem. A estatal enfrenta dificuldades financeiras e estuda alternativas de financiamento no âmbito de um plano de reestruturação.

