O Índice Global da Fome (GHI) 2025 revelou que o Brasil ainda figura entre os oito países da América do Sul com maiores níveis de fome, apesar de apresentar avanços significativos nos últimos anos. O levantamento, divulgado pelas organizações Welthungerhilfe e Concern Worldwide, mostra que o país ocupa a oitava colocação, com 6,4 pontos, dentro da categoria de “fome baixa”.
Esse resultado reflete uma melhora nas políticas de segurança alimentar e o reconhecimento internacional pela saída do Mapa da Fome da ONU. Ainda assim, a fome continua sendo um desafio latente, sobretudo em regiões mais vulneráveis e entre famílias de baixa renda.
Entenda o que mede o Índice Global da Fome
O GHI é um indicador internacional que avalia a situação alimentar mundial com base em quatro fatores principais: desnutrição calórica, atraso no crescimento infantil, baixo peso em relação à altura e mortalidade infantil.
A partir desses critérios, o índice atribui uma pontuação que permite comparar a gravidade da fome entre países e regiões. De acordo com o relatório, a média da América Latina permanece relativamente estável, mas o progresso estagnou nos últimos anos, especialmente devido às desigualdades sociais e econômicas que afetam o acesso a alimentos nutritivos.
Bolívia lidera ranking da fome na América do Sul
No topo da lista regional está a Bolívia, com 14,6 pontos, classificada como país de “fome moderada”. Segundo o World Food Program USA, o país enfrenta uma combinação de fatores que intensificam a insegurança alimentar, como eventos climáticos extremos, desigualdade entre áreas urbanas e rurais e dificuldades de acesso a alimentos.
As comunidades rurais e indígenas são as mais afetadas. Fenômenos como secas e enchentes comprometem a agricultura de subsistência, que representa a principal fonte de renda e alimentação de muitas famílias bolivianas. Além disso, instabilidades políticas, bloqueios de estradas e crises globais de preços dificultam a distribuição e o acesso a alimentos básicos.
A Bolívia também enfrenta a chamada “dupla carga da má nutrição”, um cenário em que há simultaneamente subnutrição e aumento de sobrepeso e obesidade. Esse fenômeno é reflexo de mudanças no padrão alimentar, com maior consumo de produtos ultraprocessados e menor acesso a alimentos frescos e nutritivos.
Desde os anos 2000, quando registrava 27 pontos no GHI, o país reduziu seus índices de fome, mas de forma mais lenta do que outros vizinhos sul-americanos. O ranking regional de 2025 indica o seguinte panorama:
– Bolívia – 14,6 (fome moderada)
– Trinidad & Tobago – 11,0
– Equador – 10,9
– Suriname – 10,4
– Venezuela – 9,6
– Guiana – 8,3
– Peru – 7,2
– Brasil – 6,4
– Argentina – 6,4
– Colômbia – 6,1
– Paraguai – 5,2
– Chile – <5
– Uruguai – <5
Apesar de o Brasil estar classificado na faixa de “fome baixa”, o país ainda precisa enfrentar desigualdades estruturais que comprometem a alimentação de milhões de pessoas. O avanço na segurança alimentar é inegável, mas a fome continua presente, principalmente entre populações em situação de vulnerabilidade social.

