O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro, de um almoço com o ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel. A reunião ocorre durante a 17ª Cúpula de Líderes do Brics, em um momento delicado envolvendo dívidas bilionárias da ilha com o Brasil.
Ditador de Cuba participa pela primeira vez de cúpula do Brics
O encontro entre Lula e Miguel Díaz-Canel acontece no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio, local que sedia a atual edição da cúpula do Brics. Esta é a primeira vez que o ditador de Cuba marca presença em uma cerimônia oficial do grupo de países, após convite direto do governo brasileiro.
Cuba foi recentemente reconhecida como país parceiro do Brics com o apoio do Itamaraty, mesmo com uma pendência financeira relevante. Segundo dados oficiais, a dívida cubana com o Brasil chega a US$ 1,2 bilhão, valor que tem gerado desconforto nas discussões sobre novos financiamentos à ilha.
Histórico da dívida de Cuba com o Brasil
Grande parte da dívida foi contraída durante gestões petistas, por meio de operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos foram usados para financiar exportações de serviços de empresas brasileiras, especialmente na área de infraestrutura.
Um dos principais exemplos é o financiamento para a construção do Porto de Mariel, localizado a cerca de 40 quilômetros de Havana. O projeto envolveu a atuação de empreiteiras brasileiras e simbolizou a tentativa de estreitar os laços econômicos entre os dois países.
Lula defende Cuba e critica embargo dos EUA
Durante visita oficial à ilha em setembro de 2023, Lula afirmou que o governo cubano tem disposição para quitar a dívida com o Brasil, mas estaria impedido devido ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos.
Nos meses seguintes, o presidente brasileiro reiterou sua posição contrária ao bloqueio. Em um discurso ao lado do presidente da Guiana, Irfaan Ali, Lula defendeu que Cuba seja retirada de listas internacionais de países que supostamente apoiam o terrorismo, reforçando seu posicionamento contra sanções econômicas unilaterais.

