Mauro Cid é preso novamente após suspeitas de descumprimento de medidas judiciais e tentativa de deixar o país. A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal apuram a atuação do ex-ministro Gilson Machado em um suposto plano para ajudá-lo a sair do Brasil.
Mauro Cid preso por mentir em depoimento
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso após suspeitas de mentir ao Supremo Tribunal Federal (STF) e de violar condições estabelecidas no acordo de colaboração premiada. Segundo informações da revista Veja, Cid teria utilizado uma conta no Instagram para se comunicar com aliados do ex-presidente, o que contraria ordens judiciais do ministro Alexandre de Moraes.
O militar, que havia firmado acordo com a Justiça e prestado diversos depoimentos à Polícia Federal, agora é acusado de omitir informações e tentar enganar o STF. Em recente audiência com o Supremo, ele foi o primeiro dos oito réus do chamado “núcleo do golpe” a ser ouvido. Durante quase quatro horas de depoimento, Cid demonstrou hesitação, usou expressões como “não me lembro” e negou envolvimento com perfis nas redes sociais, embora tenha sido confrontado sobre a possível utilização da conta @gabrielar702.
Tentativa de fuga do país
Apesar de o STF inicialmente ter revogado sua prisão, novas suspeitas surgiram indicando que Mauro Cid teria tentado obter um passaporte para deixar o território nacional. De acordo com fontes da Polícia Federal, há indícios de que ele estaria articulando sua saída do Brasil, descumprindo novamente as condições do acordo firmado.
A defesa do tenente-coronel nega que ele tenha sido detido, mas o caso gerou nova onda de investigações. O envolvimento do ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, foi apontado como peça-chave na tentativa de fuga.
Gilson Machado é alvo de investigação
Gilson Machado, que integrou o governo Bolsonaro, foi preso em Recife, Pernambuco, pela Polícia Federal. Segundo as investigações, ele teria atuado junto ao Consulado de Portugal no Recife para viabilizar a emissão de um passaporte português para Mauro Cid, facilitando sua saída do Brasil.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal solicitaram ao STF a abertura de inquérito para apurar a conduta de Machado. No pedido, as instituições exigem medidas cautelares como busca e apreensão em endereços ligados ao ex-ministro, além do afastamento dos sigilos telefônico e de dados telemáticos.
De acordo com a PF, a tentativa de obtenção do documento teria ocorrido em maio de 2025. A PGR defende que as informações trocadas entre Machado e o consulado sejam investigadas no período de janeiro a junho de 2025.

