A Dívida Pública Federal encerrou agosto de 2026 em R$ 9,29 trilhões, registrando crescimento de R$ 3,95 bilhões, equivalente a 0,04%, em comparação com o mês anterior. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o estoque avançou 7,62%, o que representa uma elevação de R$ 657,64 bilhões.
Os números fazem parte do Relatório Mensal da Dívida, divulgado nesta segunda-feira (28) pela Secretaria do Tesouro Nacional, vinculada ao Ministério da Fazenda.
Dívida Pública Federal tem variação influenciada por juros
Durante agosto, o governo federal retirou do mercado um volume maior de títulos do que aquele emitido no período. As emissões brutas alcançaram R$ 211,62 bilhões, enquanto os resgates chegaram a R$ 296,05 bilhões.
Com isso, o resultado entre novas emissões e títulos retirados de circulação foi um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões. Apesar da redução provocada pelos resgates, a incorporação dos juros ao estoque da dívida compensou parte desse movimento.
Segundo os dados do Tesouro Nacional, os juros apropriados durante o mês somaram R$ 88,39 bilhões. Desse total, R$ 79,66 bilhões estavam relacionados à dívida interna e R$ 8,73 bilhões à parcela externa.
Movimento dos títulos em agosto
A maior movimentação ocorreu entre os títulos vinculados à inflação. Os papéis corrigidos pelo IPCA tiveram resgates de R$ 290,13 bilhões, enquanto as emissões chegaram a R$ 21,85 bilhões. O resultado foi um resgate líquido de R$ 268,28 bilhões.
De acordo com o Tesouro Nacional, a concentração dos vencimentos desses títulos ocorreu principalmente durante a terceira semana de agosto.
Nos títulos com remuneração baseada em taxa flutuante, as emissões somaram R$ 105,51 bilhões, diante de R$ 4,80 bilhões em resgates. O saldo líquido foi positivo em R$ 100,72 bilhões.
Entre os títulos prefixados, foram emitidos R$ 84,05 bilhões, enquanto os resgates ficaram em R$ 423,60 milhões. Dessa forma, o fluxo líquido dessa modalidade foi de R$ 83,63 bilhões.
Considerando os diferentes tipos de títulos, a dívida interna apresentou resgate líquido de R$ 83,90 bilhões. Na dívida externa, o resultado foi de R$ 532,99 milhões em resgates líquidos.
Participação dos títulos indexados ao IPCA recua
A composição da Dívida Pública Federal também apresentou mudanças em agosto. A participação dos títulos vinculados ao IPCA passou de 26,02% para 23,22% do estoque total.
A redução corresponde a uma queda de 2,80 pontos percentuais na participação dessa modalidade. Em valores, o volume relacionado aos títulos indexados ao IPCA ficou em aproximadamente R$ 2,16 trilhões.
Por outro lado, a parcela associada à variação cambial aumentou durante o mês. O Tesouro Nacional relacionou esse movimento à valorização de 2,05% do dólar registrada em agosto.
Reserva de liquidez cai para R$ 1,21 trilhão
O chamado colchão de liquidez da dívida apresentou redução durante agosto. A reserva disponível para fazer frente aos compromissos financeiros passou de R$ 1,37 trilhão para R$ 1,21 trilhão.
A queda foi de 11,89% em relação ao mês anterior. Conforme os dados divulgados pelo Tesouro, o volume disponível é suficiente para cobrir aproximadamente 7,18 meses de vencimentos da dívida.
Vencimentos e prazo médio da dívida
Outro indicador acompanhado pelo Tesouro Nacional foi a parcela da dívida com vencimento previsto para os próximos 12 meses.
Esse percentual caiu de 18,91% para 16,39% em agosto. Em valores, a parcela correspondeu a R$ 1,52 trilhão, uma redução de 2,52 pontos percentuais na comparação mensal.
O prazo médio da Dívida Pública Federal aumentou de 4,05 anos para 4,10 anos. Já a vida média dos títulos ficou em 6,06 anos.
No caso das emissões realizadas por meio de ofertas públicas, o prazo médio passou de 4,94 anos para 4,52 anos.
Custo da dívida apresenta alterações
O custo médio acumulado em 12 meses da Dívida Pública Federal aumentou de 12,45% para 12,59% ao ano.
Na dívida interna, entretanto, houve redução. O custo médio passou de 13,14% para 13,06% ao ano.
Nas emissões realizadas por oferta pública, o custo médio também diminuiu, saindo de 14,10% para 13,96% ao ano.
Tesouro Direto registra mais resgates do que vendas
O Tesouro Direto registrou vendas de R$ 15 bilhões em agosto. No mesmo período, os investidores realizaram resgates de R$ 17,22 bilhões.
O resultado líquido ficou negativo em R$ 2,21 bilhões. Um dos principais fatores foi o vencimento de R$ 12,81 bilhões em títulos do Tesouro IPCA+.
Mesmo com o resultado mensal, o estoque do programa chegou a R$ 271,99 bilhões. O número de investidores ativos alcançou 3,83 milhões, crescimento de 21,69% em 12 meses.
União paga garantias de estados
Em agosto, a União também precisou honrar R$ 79,95 milhões referentes a garantias de dívidas contraídas por governos estaduais.
Do total, R$ 74,76 milhões estavam relacionados ao Rio Grande do Sul, enquanto R$ 5,01 milhões correspondiam ao Rio Grande do Norte.
Considerando os pagamentos realizados ao longo de 2026, o montante acumulado chegou a R$ 3,13 bilhões.
Mercado secundário movimenta R$ 145 bilhões por dia
O mercado secundário de títulos públicos apresentou aumento significativo no volume médio diário negociado durante agosto.
A média passou de R$ 102,11 bilhões por dia em julho para R$ 145 bilhões no mês seguinte, representando crescimento de 42,01%.
Segundo o Tesouro Nacional, as negociações envolvendo LFTs, conhecidas como Letras Financeiras do Tesouro, e NTN-Bs tiveram participação relevante nesse avanço.

