O Nordeste brasileiro concentrou a maior parte das cidades mais violentas do país em 2024, conforme dados divulgados pelo Atlas da Violência nesta terça-feira (26). O estudo, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 17 dos 20 municípios com maiores taxas de homicídios estão localizados na região nordestina.
Entre os destaques do levantamento está a cidade de Maranguape, no Ceará, que apareceu na primeira posição do ranking nacional ao registrar taxa estimada de 87,2 homicídios para cada 100 mil habitantes. Na sequência aparecem Jequié, na Bahia, com índice de 79,4, e Maracanaú, também no Ceará, com taxa de 74,1 mortes violentas por 100 mil moradores.
Bahia e Ceará lideram ranking das cidades mais violentas
O levantamento aponta que a Bahia concentra metade das 20 cidades mais violentas do país. Ao todo, dez municípios baianos figuram entre os maiores índices de homicídios registrados no estudo.
Já o Ceará aparece com cinco cidades na lista nacional. Além dos municípios nordestinos, o ranking inclui ainda duas cidades da Região Norte e uma localizada no Centro-Oeste brasileiro.
O Atlas da Violência analisou informações de 336 municípios com população superior a 100 mil habitantes. Segundo os pesquisadores, os índices variaram entre duas e 87,2 mortes por 100 mil habitantes, demonstrando grandes diferenças entre as regiões avaliadas.
Taxas de homicídio variam entre municípios brasileiros
Os dados apresentados pelo estudo revelam que 46 cidades brasileiras registraram índices superiores a 40 homicídios por 100 mil habitantes ao longo de 2024. Em contrapartida, 62 municípios ficaram abaixo da marca de dez mortes por 100 mil moradores.
Ainda de acordo com o relatório, 194 cidades apresentaram taxas inferiores à média nacional, estimada em 23,4 homicídios por 100 mil habitantes.
Estudo utiliza estimativas para ampliar análise da violência
Os responsáveis pelo Atlas da Violência informaram que a metodologia utilizada nesta edição passou a considerar não apenas os homicídios oficialmente registrados, mas também parte das mortes violentas inicialmente classificadas como de causa indeterminada.
Segundo os pesquisadores, a mudança foi necessária devido à deterioração da qualidade dos registros oficiais observada nos últimos anos. Para isso, foi adotado um sistema baseado em aprendizado de máquina para estimar possíveis homicídios ocultos.
O modelo analisa diferentes características das vítimas, incluindo idade, sexo, grau de escolaridade e local de residência. Além disso, são considerados fatores ligados à ocorrência da morte, como o tipo de instrumento utilizado e o local do crime.
Como o Atlas identifica homicídios ocultos
De acordo com o estudo, o sistema identifica padrões que permitem reclassificar parte das mortes sem causa definida como homicídios. Dessa forma, o Atlas da Violência trabalha com taxas estimadas, buscando oferecer um retrato mais próximo da realidade da violência letal no Brasil.
Os pesquisadores afirmam que a metodologia contribui para reduzir distorções provocadas por falhas nos registros oficiais e amplia a capacidade de análise sobre os cenários de criminalidade em diferentes regiões do país.

