*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A reta final da corrida eleitoral ao Governo de Mato Grosso ganhou contornos de tensão política com o racha dentro do diretório estadual do Partido Liberal (PL). Enquanto prefeitos da própria legenda e importantes lideranças municipais declararam apoio à reeleição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o candidato liberal, senador Wellington Fagundes (PL), comentou a divisão interna e enfatizou a postura de lealdade histórica à sigla.
A crise ganhou novos capítulos na última segunda-feira, dia 22 de setembro, quando a repercussão de apoios cruzados e o desgaste acumulado ao longo dos últimos meses vieram à tona. O presidente regional do PL, Ananias Filho, chegou a defender a expulsão dos prefeitos que decidiram caminhar com Pivetta.
Questionado sobre o episódio dentro do partido, Wellington Fagundes adotou um tom de serenidade, mas fez questão de exaltar a trajetória de fidelidade partidária.
“Todos têm direito de buscar aquilo que é a sua consciência. Eu sou leal, sou fiel. Quarenta anos filiado ao partido, todos os meus mandatos foram pelo meu partido. Vivo com a minha esposa há cinquenta e um anos, portanto, lealdade, trabalho é o Wellington Fagundes”, declarou o candidato.
Inquirido sobre a possibilidade de punições e expulsões aos prefeitos e correligionários que debandaram para o palanque adversário, Fagundes esquivou-se da responsabilidade direta, transferindo a decisão para a cúpula estadual da legenda.
“Não, isso é questão do presidente do partido, aí não é comigo”.
O desgaste na base do PL se arrasta há meses e foi intensificado após confirmações e declarações de figuras de peso da sigla. Na última segunda-feira, dia 22 de setembro, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, admitiu publicamente que pode deixar o Partido Liberal, confirmando ter recebido convites de outras legendas, incluindo o próprio Republicanos de Otaviano Pivetta.
Ao comentar sobre o isolamento dentro da própria sigla e a ameaça de expulsão aventada pelo comando regional, Flávia Moretti minimizou a situação.
“Olha, eu não tô tendo um relacionamento com o PL, entendeu? Porque eu não tô tendo um relacionamento com partido algum, até porque eu só sou. Hoje eu só sou filiada ao PL. Não, não temo uma expulsão”.
A onda de apoios a Otaviano Pivetta rachou o arco de alianças que o PL pretendia consolidar em Mato Grosso. A lista de prefeitos e chefes do Executivo municipal filiados ao PL que romperam com a diretriz partidária para apoiar a reeleição do atual governador inclui João Salomão Pimenta — Vila Rica; Dona Elza — Ribeirão Cascalheira; Juliano Berticelli — Ipiranga do Norte; Emerson Sabatine — Itanhangá; Sérgio Machnic — Primavera do Leste; Pablo Bortolas — Santa Carmem; Tarcísio Garbin — São José do Rio Claro; Carlos Borchardt — Tabaporã; Odair Vargas — Conquista D’Oeste; Ari Cândido — Nova Olímpia; Álvaro Galvan — Tapurah e Airton Justino — Nova Lacerda.
Além dos prefeitos do interior, figuras de destaque eleitoral na gestão municipal como Flávia Moretti (Várzea Grande) e Cláudio Ferreira (Rondonópolis) também declararam apoio ao projeto de reeleição de Pivetta.

