*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Câmara Municipal de Cuiabá tornou-se palco de um forte embate político após declarações do deputado estadual Valdir Barranco (PT), que questionou a capacidade intelectual de vereadores e a relevância de moções de repúdio aprovadas pelo Legislativo.
As falas do deputado ocorreram em um contexto de crescente tensão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), envolvendo temas que vão desde indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) até o uso de tragédias familiares em debates ideológicos.
O CONFLITO DAS MOÇÕES
O desentendimento teve início após a Câmara de Cuiabá aprovar uma moção de repúdio ao advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para uma vaga no STF (que acabou não se concretizando no Senado). O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) tentou aprovar medida semelhante na ALMT, mas o pedido foi rejeitado.
Em tom de crítica, Barranco classificou as moções como “extremamente medíocres” e uma “situação ridícula”, afirmando que tais instrumentos “não valem nada”. O parlamentar disparou ainda contra os representantes municipais: “Nas Câmaras Municipais, a gente até compreende. Vereadores não têm essa capacidade de fazer análises, mas nas Assembleias Legislativas?”.
REAÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL
As declarações geraram revolta imediata entre os parlamentares da capital.
A presidente da casa, Paula Calil (PL), expressou indignação com o questionamento sobre a capacidade dos vereadores.
“Como assim? Gera uma revolta tremenda na gente ver um parlamentar fazer uma fala como essa”, desabafou.
O vereador Rafael Ranalli (PL), defendeu que o uso de moções de repúdio, apoio ou aplauso é um direito legal e uma forma legítima de posicionamento político. Ranalli lembrou que muitos deputados estaduais, inclusive colegas de Barranco, iniciaram suas carreiras como vereadores, tornando a fala um desrespeito à própria trajetória da classe política.
POLÊMICA ENVOLVENDO A MEMÓRIA DE RAQUEL CATTANI
O deputado Valdir Barranco já enfrentava duras críticas pela postura em outro debate na Assembleia Legislativa. Durante a discussão de um projeto de lei de Gilberto Cattani (PL), que propõe o porte de arma para mulheres com medidas protetivas, Barranco utilizou o feminicídio de Raquel Cattani, filha do parlamentar do PL, para embasar oposição à proposta.

Barranco argumentou que armar vítimas poderia aumentar o risco de morte e citou a família Cattani como exemplo negativo, afirmando que, mesmo andando armados, não evitaram a tragédia com Raquel.
INDIGNAÇÃO E RESPOSTA DA FAMÍLIA CATTANI
A fala provocou reação de Gilberto Cattani, que chamou Barranco de “canalha” e o acusou de desonrar a memória da filha às vésperas do que seria o aniversário de 28 anos dela, no dia 5 de maio.
Cattani desmentiu a afirmação de que Raquel estava armada, atribuindo a impossibilidade de autodefesa da filha às restrições de armamento impostas pelo atual Governo Federal.
Sandra Cattani, mãe de Raquel, reagiu com choque ao vídeo das declarações de Barranco.
“Raquel nunca teve uma arma. Então quer dizer que ela mereceu morrer?”.
A conduta de Barranco foi amplamente criticada por figuras públicas, como o pré-candidato Haroldo Arruda (NOVO), que classificou a atitude como uma demonstração de “profunda desumanidade”.
Até o momento, o deputado Valdir Barranco não recuou das declarações.
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