*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A vendedora Vitória Sara Bezerra Lupatini, apontada pelas investigações durante Operação Pátio Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, como líder de um suposto esquema de desvio de veículos e valores de clientes de uma concessionária em Sorriso, apresentou-se à delegacia acompanhada de advogado na última quinta-feira, dia 27 de agosto.

Ela estava com um mandado de prisão preventiva em aberto desde a véspera, quando a operação policial foi deflagrada, e era considerada foragida da Justiça.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil em Sorriso revelam que o grupo criminoso sob suspeita teria movimentado aproximadamente R$ 50 milhões no período de um ano.
De acordo com a apuração, Vitória Sara atuava no atendimento direto aos clientes interessados na compra de veículos. No processo de negociação, ela recebia automóveis usados como parte do pagamento ou valores referentes às transações. No entanto, em vez de repassar os bens e o dinheiro para o fluxo oficial da empresa, os veículos eram supostamente desviados e repassados a outras garagens.
O esquema operava aproveitando-se da estrutura, da reputação e da credibilidade da concessionária, que figura formalmente como vítima no inquérito policial, utilizando o nome da empresa para captar a confiança das vítimas por cerca de doze meses. Até o momento, a apuração identificou entre 15 e 20 potenciais clientes vítimas, acumulando um prejuízo superior a R$ 2 milhões.
A DEFLAGRAÇÃO DA OPERAÇÃO PÁTIO PARALELO
A primeira fase da Operação Pátio Paralelo foi deflagrada na quarta-feira, dia 26 de agosto, mobilizando equipes policiais para o cumprimento de mais de 20 ordens judiciais expedidas pelo Poder Judiciário.
Entre as determinações cumpridas estão um mandado de prisão preventiva (agora cumprido com a apresentação da investigada), sete mandados de busca e apreensão, nove ordens de quebra de sigilo bancário, cinco bloqueios de ativos financeiros, além de outras medidas cautelares de caráter patrimonial.
As ordens judiciais autorizaram a apreensão de uma vasta gama de materiais, incluindo celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros e veículos, que agora passam por perícia técnica para destrinchar o fluxo do dinheiro e o destino dos carros desviados.
O inquérito policial continua em andamento na Delegacia de Sorriso para identificar a participação de outros possíveis envolvidos no esquema bilionário de fraudes e desvios.

