A taxa do rotativo do cartão de crédito apresentou queda em outubro, conforme dados divulgados pelo Banco Central, mas continua em patamares considerados elevados. O relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito detalha o comportamento dos juros no país e aponta mudanças também em outras modalidades.
Queda nos juros do rotativo do cartão de crédito
A taxa média cobrada pelos bancos no rotativo do cartão de crédito recuou 3,9 pontos percentuais em outubro, alcançando 439,8% ao ano. Mesmo com a redução, essa ainda é uma das linhas de crédito mais onerosas disponíveis ao consumidor.
O rotativo do cartão de crédito é ativado quando o cliente não consegue pagar o valor integral da fatura até o vencimento. Nesse caso, a instituição financeira libera automaticamente um crédito para cobrir o saldo restante. Pelas regras em vigor, caso o cliente continue inadimplente, o banco precisa ofertar um parcelamento ou outra alternativa de pagamento em condições mais favoráveis no prazo de 30 dias.
Especialistas alertam que o rotativo deve ser usado apenas em situações de emergência devido ao custo elevado. Em dezembro de 2023, o Conselho Monetário Nacional estabeleceu que, a partir de janeiro de 2024, os juros dessa modalidade não poderiam ultrapassar 100% do valor original da dívida.
Cartão de crédito parcelado apresenta leve recuo
Segundo o Banco Central, a taxa do cartão de crédito parcelado caiu 0,3 ponto percentual, chegando a 178% ao ano.
Já a taxa total do cartão registrou queda de 0,2 ponto percentual, ficando em 90,1% ao ano.
Juros bancários sobem para pessoas físicas e jurídicas
Em outras modalidades, o cenário foi diferente. O Banco Central informou que a taxa média dos juros cobrados por instituições financeiras em operações com empresas e consumidores subiu 0,8 ponto percentual em outubro, alcançando 46,3% ao ano.
Esse resultado representa o maior índice desde julho de 2017.
O governo federal lançou em março uma nova modalidade de crédito com garantia do FGTS. A iniciativa permite o uso de até 10% do saldo acumulado e também dos 40% referentes à multa rescisória em caso de demissão sem justa causa.
Como funciona a contratação
As parcelas do empréstimo são descontadas diretamente do contracheque do trabalhador. Antes dessa mudança, o consignado no setor privado dependia de acordos firmados entre empresas e bancos. Com a atualização das regras, desde 21 de março os trabalhadores podem solicitar o crédito por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, sem necessidade de intermédio das empresas.
A partir de 25 de abril, também passou a ser possível contratar o empréstimo pelos canais eletrônicos dos bancos participantes. Desde 16 de maio, trabalhadores podem ainda renegociar dívidas com portabilidade para outras instituições.
Atualmente, não há limite definido para as taxas dessa nova linha de crédito, sendo os juros estabelecidos livremente pelas instituições financeiras.
Os dados mais recentes do Banco Central mostram que, apesar de uma leve melhora no rotativo do cartão de crédito, o custo dessa modalidade ainda permanece entre os mais altos do mercado. Ao mesmo tempo, outras linhas de crédito registram oscilações distintas, enquanto novas alternativas, como o empréstimo com garantia do FGTS, ganham espaço entre consumidores que buscam condições mais acessíveis.

