A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva de Deolane Bezerra nesta terça-feira (9). Os ministros analisaram um pedido de liberdade apresentado pela defesa da influenciadora e advogada, mas concluíram que não cabia ao tribunal intervir neste momento do processo, uma vez que recursos semelhantes ainda aguardam análise em instâncias inferiores.
A decisão foi tomada pelos ministros Messod Azulay, Joel Ilan Paciornik e Ribeiro Dantas, que entenderam não haver justificativa para o STJ antecipar uma manifestação sobre questões que ainda estão sendo examinadas por outros órgãos do Judiciário.
Deolane Bezerra segue presa durante investigação
A defesa de Deolane Bezerra sustentou que a manutenção da prisão preventiva seria desnecessária. Segundo os advogados, não existiriam elementos concretos que demonstrassem ameaça à ordem pública, risco de interferência na produção de provas ou possibilidade de descumprimento da legislação penal.
Com base nesses argumentos, os representantes da influenciadora solicitaram a revogação da medida cautelar e a concessão da liberdade. No entanto, o colegiado optou por não acolher o pedido neste estágio processual.
A decisão não analisa o mérito das acusações em profundidade, mas considera que a tramitação regular dos recursos deve ser respeitada antes de eventual manifestação do STJ sobre o caso.
Operação investiga lavagem de dinheiro e organização criminosa
A prisão de Deolane Bezerra ocorreu após uma operação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público estadual. A ação faz parte de uma investigação que apura possíveis crimes relacionados à lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
As autoridades cumpriram mandados e realizaram diligências para reunir documentos, registros financeiros e outros elementos considerados relevantes para o avanço das apurações.
De acordo com os investigadores, a influenciadora estaria entre os alvos centrais da operação, que busca identificar a origem e a movimentação de recursos supostamente ligados a atividades ilícitas.
Movimentações financeiras estão sob análise
Conforme informações reunidas durante a investigação, as autoridades identificaram movimentações financeiras expressivas vinculadas a Deolane Bezerra entre os anos de 2018 e 2022.
Os relatórios apontam que aproximadamente R$ 15 milhões teriam circulado por contas pessoais da influenciadora durante o período analisado. Além disso, cerca de R$ 14 milhões teriam passado por empresas ligadas ao seu nome.
Os investigadores trabalham para determinar a origem dos recursos e verificar se houve utilização de estruturas empresariais para ocultação ou dissimulação de valores.
Empresas levantaram suspeitas dos investigadores
Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a existência de empresas registradas em municípios do interior paulista. Segundo os relatórios da investigação, algumas dessas companhias apresentariam características compatíveis com empresas de fachada.
As apurações indicam que determinados endereços utilizados para registro empresarial também seriam compartilhados por dezenas de outras pessoas jurídicas, circunstância considerada relevante pelos investigadores.
Além disso, a localização de algumas dessas empresas, em áreas próximas ao sistema prisional de Presidente Venceslau, passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos órgãos responsáveis pelo caso.
Processo continua em andamento
Apesar da negativa do pedido de liberdade, o processo segue em tramitação e novas análises judiciais ainda poderão ocorrer ao longo da investigação. A defesa continua buscando reverter a prisão preventiva por meio dos instrumentos legais disponíveis.
Enquanto isso, os órgãos de investigação prosseguem com a coleta de provas e o aprofundamento das diligências para esclarecer os fatos apurados durante a operação.

