O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times que é “20 vezes melhor que Bolsonaro”, ao comentar as recentes tensões diplomáticas com os Estados Unidos. A fala ocorreu dois dias antes da entrada em vigor de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo governo de Donald Trump.
Tarifas e tensão diplomática com os EUA
Durante a entrevista, Lula demonstrou preocupação com o impacto da nova tarifa sobre a economia brasileira. O presidente afirmou que tentou estabelecer diálogo com o governo norte-americano há meses, por meio de seu vice-presidente e ministros da Agricultura e da Economia, mas não obteve retorno.
Segundo o petista, Trump estaria transformando a relação comercial entre os dois países em uma disputa política, o que classificou como inadequado para dois parceiros históricos. Lula criticou ainda o tom das comunicações do ex-presidente norte-americano, alegando que não houve qualquer aviso prévio oficial sobre a nova tarifa, apenas a publicação de Trump em redes sociais no dia 9.
“Sou 20 vezes melhor que Bolsonaro”, diz Lula
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi quando Lula afirmou ser “20 vezes melhor que Bolsonaro”. A declaração foi uma resposta às críticas de Trump e à tentativa de envolver o Brasil em uma agenda política norte-americana.
Segundo o presidente, se Donald Trump o conhecesse pessoalmente, teria uma percepção diferente. Lula também rechaçou a ideia de que o país deva aceitar passivamente as decisões dos Estados Unidos. “Não se consegue respeito gritando ou abaixando a cabeça. O Brasil não está à venda”, afirmou.
Questionado sobre as críticas de Trump às instituições brasileiras e possíveis sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e outros membros do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula reforçou que o Judiciário brasileiro é independente e merece ser respeitado.
O presidente foi firme ao afirmar que o processo judicial contra Jair Bolsonaro seguirá seu curso, ressaltando que o ex-mandatário está sendo julgado com pleno direito de defesa, conforme previsto na Constituição brasileira.
Lula lamentou que o atual governo norte-americano tenha preferido impor sanções em vez de buscar o diálogo. Ele afirmou que o Brasil está aberto à negociação, mas que não aceitará imposições unilaterais.
“O tom da carta de Trump mostra que ele não está interessado em conversar”, disse Lula, ao defender uma abordagem diplomática. Mesmo diante das dificuldades, o petista disse não ter medo do ex-presidente americano, embora tenha reconhecido preocupação com os efeitos econômicos da tarifa para a população brasileira.
Alternativas comerciais e a relação com a China
Na mesma entrevista, Lula destacou que o Brasil busca diversificar seus parceiros comerciais. Ele afirmou que mantém uma relação “extraordinária” com a China e que está disposto a negociar com qualquer país que respeite o Brasil como parceiro igual.
O presidente ressaltou que o país não aceitará ser usado como instrumento em uma nova Guerra Fria entre EUA e China. “Não tenho preferências ideológicas. Quero vender para quem quiser comprar de mim, para quem pagar mais”, enfatizou.

