O debate em torno do impeachment de Toffoli voltou a ganhar força no Congresso Nacional após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) deixar a relatoria da investigação que apura a compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Mesmo com a saída do caso, parlamentares intensificaram a coleta de assinaturas para solicitar a abertura de processo no Senado.
A movimentação ocorre em meio à divulgação de informações da Polícia Federal (PF), que identificou mensagens envolvendo o nome do ministro em aparelho apreendido durante operação que investigou o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relatório foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, no início da semana.
Impeachment de Toffoli mobiliza senadores e deputados
A lista de apoio ao pedido de impeachment de Toffoli tem recebido novas adesões tanto na Câmara quanto no Senado. O documento solicita que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhe a representação à Advocacia do Senado para análise preliminar e, se houver parecer favorável, submeta o caso à apreciação dos senadores.
Entre os parlamentares que declararam apoio está o senador Styvenson Valentim (PSDB-RN). Em entrevista, ele afirmou que as informações levantadas pela PF seriam suficientes para justificar o início de um processo de impedimento. O senador também mencionou a possibilidade de requerer quebra de sigilo para aprofundar as apurações.
A deputada Rosana Valle (PL-SP) também integra o grupo que defende a abertura do processo. Ela declarou apoio formal ao pedido ainda durante o recesso parlamentar, reforçando a articulação política em torno do tema.
Relatório da PF e mensagens citadas
De acordo com o relatório policial, mensagens extraídas de celular apreendido mencionam o nome de Toffoli em conversas relacionadas a Daniel Vorcaro, cujo banco teve liquidação decretada pelo Banco Central sob suspeita de negociações irregulares de títulos.
O documento também cita diálogos envolvendo o pagamento pela aquisição de parte do Tayayá Resort, empreendimento localizado no Paraná e ligado à família do ministro. As conversas incluiriam referências a transações realizadas com empresas e fundos de investimento.
A Polícia Federal apontou a possibilidade de eventual descumprimento da Lei Orgânica da Magistratura, mas não solicitou o afastamento do ministro do processo naquele momento.
Defesa nega irregularidades
Em nota oficial divulgada na quinta-feira, o gabinete do ministro afirmou que não houve recebimento de valores de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel, cunhado do empresário. O comunicado esclarece que a empresa Maridt, da qual Toffoli era sócio, vendeu participação no Tayayá Resort ao fundo Arllen em setembro de 2021 e, posteriormente, outra parcela à empresa PHD Holding em fevereiro de 2025.
Segundo a nota, todas as operações foram devidamente declaradas à Receita Federal, destacando a regularidade formal das transações.
Apesar disso, parlamentares que defendem o impeachment de Toffoli sustentam que as informações reveladas são suficientes para justificar investigação no âmbito político-administrativo do Senado.
Saída da relatoria não encerra controvérsia
A decisão de Toffoli de deixar a relatoria do caso relacionado ao Banco Master foi anunciada nesta quinta-feira, 12. A medida, no entanto, não interrompeu as articulações no Congresso.
Para os defensores do pedido, a gravidade das suspeitas exige apuração mais ampla, independentemente da mudança na condução do processo no STF. Já a defesa do ministro reafirma que não há irregularidades e que os atos praticados ocorreram dentro da legalidade.

