A viagem de oito senadores brasileiros aos Estados Unidos, em missão oficial para discutir a tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, já gerou despesas de aproximadamente R$ 500 mil aos cofres do Senado Federal. A comitiva, no entanto, ainda não teve qualquer encontro com representantes do governo americano.
Senadores brasileiros focam diálogo com setor privado nos EUA
Liderados por Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, os senadores brasileiros têm participado de reuniões com membros dos partidos Republicano e Democrata, além de representantes do setor empresarial. Não há, até o momento, previsão de encontros com integrantes do Executivo norte-americano.
As despesas incluem R$ 275 mil com passagens aéreas, além de R$ 201 mil destinados ao pagamento de diárias e seguros viagem. As tratativas com o setor privado devem ocorrer durante o recesso parlamentar dos Estados Unidos, período em que os congressistas americanos estão ausentes de Washington.
Cada integrante da missão solicitou ressarcimentos diferentes. Rogério Carvalho (PT-SE) e Marcos Pontes (PL-SP) requisitaram seis diárias. Jaques Wagner (PT-BA) solicitou apenas o seguro viagem, enquanto Pontes também pediu reembolso por uma passagem doméstica e outra de retorno.
Além dos já citados, também participam da viagem os senadores Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Carlos Viana (Podemos-MG) e Tereza Cristina (PP-MS). O valor das diárias internacionais oferecidas pelo Senado é de US$ 629, cerca de R$ 3,5 mil, com reajuste anual.
Diplomacia brasileira e articulações políticas
Na segunda-feira (28), os senadores brasileiros se reuniram com diplomatas, entre eles a embaixadora Maria Luiza Viotti e o embaixador Roberto Azêvedo. Um dos principais compromissos da agenda foi um encontro com empresários na Câmara de Comércio dos EUA e representantes do Brazil-U.S. Business Council.
Está prevista, para terça-feira (29), uma reunião com ao menos seis parlamentares americanos dos partidos Republicano e Democrata. Nelsinho Trad informou que outros congressistas demonstraram interesse nas conversas, mas ressaltou que a agenda oficial é mantida sob sigilo para evitar interferências que possam prejudicar os compromissos marcados.
Antes de qualquer encontro com representantes estrangeiros, cinco senadores da comitiva realizaram uma reunião interna em um hotel de Washington, no sábado (26). Estiveram presentes Nelsinho Trad, Marcos Pontes, Tereza Cristina, Esperidião Amin e Fernando Farias. A reunião teve caráter preparatório.
Segundo a assessoria de Trad, a missão tem como objetivo reabrir canais institucionais entre os parlamentos dos dois países, em resposta à adoção de barreiras tarifárias unilaterais por parte dos Estados Unidos, que afetam setores estratégicos da economia brasileira.
Reação dos EUA e tarifas para outros parceiros
Enquanto os senadores brasileiros buscavam articulações, o presidente Donald Trump anunciou um novo acordo com a União Europeia. A negociação prevê tarifas de 15% em troca de investimentos de US$ 600 bilhões, sendo US$ 150 bilhões direcionados ao setor de energia. Trump reafirmou que não pretende adiar as tarifas de 50% aplicadas a países como o Brasil, com vigência prevista para iniciar em 1º de agosto.

