*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Durante o debate promovido pela Rádio Centro América na última terça-feira, dia 18 de agosto, o atual governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), desferiu duras críticas contra o adversário, o senador Wellington Fagundes (PL), resgatando antigas alianças políticas e ligações com esquemas de corrupção investigados no passado do estado.
Ao confrontar o concorrente ao Palácio Paiaguás, Pivetta não economizou nas palavras e mirou diretamente no histórico político de Wellington Fagundes, associando-o ao ex-governador Silval Barbosa, que administrou o estado entre 2010 e 2014, e citando nominalmente o atual chefe de gabinete do parlamentar.
“O senhor foi parceiro de Silval e seu chefe de gabinete atual, Cinésio, foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime?”, disparou Pivetta durante o embate.
A referência feita pelo governador remete a um dos períodos mais conturbados da política mato-grossense, marcado por escândalos de corrupção revelados por meio de acordos de delação premiada homologados no âmbito da Justiça.
Silval Barbosa foi condenado a penas que somavam 20 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, cumprindo regime diferenciado e firmando um amplo acordo de colaboração premiada no qual se comprometeu a devolver cerca de R$ 70 milhões dos cofres públicos, de um total estimado em R$ 1 bilhão desviado durante sua gestão.
Nos depoimentos de delação, Silval apontou detalhadamente o envolvimento de diversas figuras da política estadual, incluindo parlamentares e secretários de Estado.
De acordo com as delações do ex-governador, o então deputado federal Wellington Fagundes o teria procurado para reivindicar o controle sobre a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Transportes (Sinfra), alegando que a pasta pertencia ao PR, partido de Wellington à época, por força de acordos eleitorais firmados.
Ainda conforme os relatos investigados e detalhados nos autos, Wellington teria exigido a nomeação de Cinésio Nunes de Oliveira, então funcionário de seu gabinete parlamentar, para um posto-chave na estrutura de obras rodoviárias do estado, com a atribuição de controlar os recursos e repasses da pasta.
As investigações e os termos da colaboração apontam que, com o avanço e o início dos contratos do ambicioso programa MT Integrado, que contou com um orçamento aproximado de R$ 1,5 bilhão e cerca de R$ 700 milhões executados até o final de 2014, o senador teria passado a pressionar a gestão em busca de supostas vantagens indevidas.
Segundo Silval Barbosa, após conversas diretas com Wellington, ficou pactuado que Cinésio repassaria um percentual fixo sobre os valores pagos pelo Estado a determinadas construtoras contratadas. O ex-governador revelou que as empresas executoras dos projetos do programa MT Integrado pagavam propinas equivalentes a 3% a 4% do montante recebido das faturas públicas.
O OUTRO LADO
Wellington Fagundes afirmou ser um articulador político em Brasília. O senador afirmou que o envio de emendas e verbas orçamentárias faz parte da atuação.
“Eu conheço o Cinésio, ele não tem nenhum processo, que ele foi julgado e condenado. Quero dizer que não ajudei só o governo Silval, eu ajudei todos os governos”.
Fagundes ainda destacou a aprovação do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX).
“Ajudei a trazer R$ 3 bilhões ao Governo do Estado e R$ 1 bilhão para os municípios”.
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