*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Investigações conduzidas pela Polícia Civil apontam que o bimotor Cessna 402, que caiu em acidente em Água Boa, interior do estado, em 1 de setembro, pode estar diretamente ligado a uma operação clandestina do narcotráfico internacional, revelando um complexo enredo de contrabando, histórico policial da aeronave e transações financeiras suspeitas.
A confirmação oficial da identidade dos três ocupantes que morreram na queda foi realizada pela Politec. As vítimas são: Federico Antonio Gill Lopez, de 41 anos, natural de Assunção (Paraguai); Luis Alberto Martinezz, de 44 anos, também da região de Assunção; e Vanderlei Sattler, de 65 anos, natural de Montenegro (RS), empresário, proprietário da aeronave e sócio-administrador de uma empresa de assessoria aeronáutica.
Até o momento, as autoridades apuram o que os estrangeiros faziam a bordo do bimotor ao lado do empresário gaúcho.
O ponto central da investigação, no entanto, recai sobre o passado e a situação jurídica da aeronave. O avião Cessna 402 já havia sido apreendido pela Polícia Federal em 2017, em Goiânia (GO), quando foram encontrados 67 quilos de cocaína no interior dele. Cerca de quatro meses antes da queda em solo mato-grossense, o bimotor foi arrematado em um leilão público promovido pela Justiça.
De acordo com os levantamentos da Polícia Civil, a aeronave partiu de Goiânia (GO) e tinha como provável destino final a Venezuela, levantando a suspeita de que estivesse sendo utilizada em rotas do tráfico internacional de entorpecentes. Para reconstituir os passos do grupo, os investigadores analisaram imagens de câmeras de segurança que registraram o embarque dos tripulantes antes da decolagem.
As apurações revelaram ainda irregularidades na situação do bimotor. O comprador do leilão foi informado de que a aeronave não tinha autorização para voar no Brasil, uma vez que não havia sido nacionalizada e sequer possuía matrícula brasileira válida. As condições em que o avião foi adquirido também estão sob escrutínio.
O valor pago pelo bem foi considerado expressivo e envolveu uma negociação atípica. Parte do montante foi quitada em dinheiro em espécie, complementada pela entrega de um veículo de alto valor. A Polícia Civil descobriu que este automóvel utilizado como parte do pagamento já esteve registrado em nome de uma pessoa investigada por envolvimento com o tráfico internacional de drogas.
As diligências continuam para esclarecer todos os elos da rede criminosa, a dinâmica do acidente e a real motivação do voo clandestino que culminou na queda em Água Boa.

