O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, foi escolhido por sorteio como relator de um habeas corpus coletivo apresentado por parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT). A ação solicita que presos com mais de 70 anos ou com doenças graves possam cumprir pena em regime domiciliar por razões humanitárias. O caso foi distribuído na última sexta-feira (27) e passa agora à análise do magistrado.
Pedido amplia debate sobre situação de presos no Brasil
O pedido protocolado não menciona diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas faz referência a uma figura pública com mais de 70 anos que recentemente trouxe o tema à discussão. A iniciativa ocorre após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou Bolsonaro a cumprir prisão domiciliar por um período de 90 dias.
Enquanto a decisão individual concedida ao ex-presidente possui prazo determinado, o habeas corpus coletivo propõe que a prisão domiciliar humanitária seja aplicada sem limite de tempo definido. A medida, caso aceita, teria abrangência nacional e poderia beneficiar diversos detentos em situação semelhante.
Habeas corpus coletivo para presos idosos e doentes
A ação foi apresentada pelos deputados federais Rui Falcão, Lindbergh Farias, Pedro Uczai e Reimont. O objetivo é estender o benefício a todos os presos que comprovem condições de saúde graves ou idade avançada, independentemente do tipo de crime cometido.
O texto não estabelece restrições relacionadas à natureza dos delitos. Dessa forma, a eventual concessão do pedido poderia alcançar condenados por diferentes crimes, incluindo casos considerados de maior gravidade.
Argumentos apresentados ao STF
Os parlamentares sustentam que decisões individuais não são suficientes para alterar o que classificam como padrão do Judiciário brasileiro. Segundo eles, há uma tendência de manutenção da prisão mesmo em situações onde não haveria garantia de tratamento adequado dentro do sistema prisional.
A argumentação busca que o Supremo estabeleça parâmetros mais claros para lidar com presos idosos ou com enfermidades graves, garantindo o que consideram ser o cumprimento adequado de direitos constitucionais.
O pedido também faz referência a decisões anteriores da Corte, como a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 347, que reconheceu um cenário de inconstitucionalidade no sistema prisional brasileiro. Na ocasião, foram determinadas medidas para enfrentar problemas como superlotação e condições inadequadas nas unidades prisionais.
Possíveis impactos da decisão
Caso o Supremo Tribunal Federal acolha o habeas corpus coletivo, a medida poderá impactar diretamente o sistema carcerário nacional, ao permitir que um número significativo de presos deixe o regime fechado para cumprir pena em casa.
Além disso, a decisão poderá estabelecer um precedente relevante para casos semelhantes, influenciando futuras interpretações jurídicas sobre a execução penal em situações de vulnerabilidade.

