*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A formalização da coligação entre o Partido Liberal (PL) e o MDB para as Eleições de 2026 gerou forte resistência interna entre lideranças de destaque da legenda liberal.
Na noite do último domingo, dia 2 de agosto, os prefeitos de Cuiabá, Abilio Brunini, e de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, usaram as redes sociais para manifestar repúdio público à aliança que integrará a deputada estadual Janaina Riva (MDB) na chapa ao Senado encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL).
A FORMAÇÃO DA CHAPA MAJORITÁRIA
O cenário político estadual sofreu uma reviravolta após o senador Wellington Fagundes confirmar, durante visita a Barra do Garças no dia 2 de agosto, a composição oficial de sua pré-candidatura ao governo de Mato Grosso. Na chapa, foram confirmados os nomes de José Medeiros (PL) e da deputada Janaina Riva (MDB) como concorrentes ao Senado.
A articulação, costurada com o aval da cúpula nacional do PL, incluindo o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, buscou unir forças após movimentações que impediram a candidatura do senador Jayme Campos. Contudo, a aproximação com o MDB desagradou prefeitos alinhados à ala mais ideológica do partido.
A REAÇÃO CONTUNDENTE DE ABÍLIO BRUNINI
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, foi um dos primeiros a se posicionar de forma enfática contra a união partidária, publicando um desabafo na rede social. Na postagem, Abilio destacou o histórico de oposição travado contra figuras locais do MDB e colocou seu futuro partidário à disposição da legenda, exigindo que o partido escolha entre tolerá-lo, liberá-lo ou expulsá-lo.
“Não estarei com o MDB. Não posso ser incoerente”, iniciou Abilio, listando rivalidades recentes.
“O Botelho que foi meu oponente em Cuiabá e fala mal de mim e do Bolsonaro, está no MDB. […] Brigamos na última eleição e continuamos oponentes, agora querem colocar todo mundo no mesmo ônibus e fazer de conta que somos amiguinhos. Não dá não”.
O chefe do Executivo municipal cuiabano também questionou os rumos de fidelidade partidária caso o diretório estadual se alinhe a outras siglas tradicionais.
“Se meu partido em Mato Grosso juntar com o PT por fidelidade partidária tenho que apoiar o PT? Não esperem isso de mim! Ou me libera, ou tolera, ou expulsa. Com o PT e MDB eu não vou”.

O POSICIONAMENTO DE CLÁUDIO FERREIRA
Na mesma linha de rejeição, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, utilizou os stories do Instagram para repudiar o acordo político e classificar a aliança como uma total quebra de princípios ideológicos.
“Não apoio o projeto político liderado pelo MDB em Mato Grosso. Com muito esforço, vencemos aqui em Rondonópolis o MDB do Bezerra, Riva, Thiago Silva, Emanuel Pinheiro e etc”, declarou Cláudio.
Para o prefeito rondonopolitano, o histórico do MDB em alianças de centro-esquerda choca-se com os propósitos da direita que ele representa.
“A aliança do novo PL com o MDB em Mato Grosso é uma total incoerência, não representa absolutamente nada do propósito que busco na vida pública. Sigo firme com Flávio Bolsonaro para presidente e Medeiros para o senado”, concluiu.
CONTEXTO DA ALIANÇA
A inclusão de Janaina Riva, que é casada com Diógenes Fagundes, filho de Wellington Fagundes, na chapa majoritária ao lado de José Medeiros passou por superações de resistências locais e recebeu o aval definitivo da direção nacional do PL.
No entanto, as críticas públicas dos prefeitos Abilio Brunini e Cláudio Ferreira evidenciam o racha e o desconforto gerado na base conservadora do partido em Mato Grosso com vistas ao pleito de 2026.

