*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu, na última segunda-feira, dia 9 de março, o inquérito sobre a morte da empresária Jéssica Santiago Souza, de 33 anos. Dois médicos foram indiciados por homicídio culposo (quando não há intenção de matar, mas há negligência, imprudência ou imperícia), após as investigações apontarem erros fatais durante um procedimento estético realizado em fevereiro deste ano.
O PROCEDIMENTO E A FATALIDADE
O caso ocorreu no dia 17 de fevereiro, em uma unidade hospitalar em Tangará da Serra. Jéssica, que não possuía problemas de saúde preexistentes, deu entrada para ser submetida a três intervenções combinadas sob anestesia geral: cruroplastia (plástica nas coxas), lipoescultura e a aplicação de Renuvion (tecnologia para retração de pele).
As complicações começaram logo no início da cirurgia, enquanto a equipe médica realizava a lipoaspiração na região superior das costas da paciente. Jéssica apresentou uma instabilidade hemodinâmica severa, que evoluiu rapidamente para uma parada cardiorrespiratória. Apesar das manobras de socorro, ela não resistiu.
O LAUDO PERICIAL: PERFURAÇÃO NO PULMÃO
O ponto determinante para o indiciamento dos profissionais foi o resultado do exame necroscópico e de um laudo complementar da Politec. De acordo com o delegado Gustavo Espíndula, responsável pelo caso, a causa da morte foi um pneumotórax bilateral, provocado por perfurações na parede torácica posterior da empresária.
“O laudo de necrópsia apontou duas perfurações no pulmão causadas por instrumento contundente, que seria a cânula que faz a sucção de gordura”, explicou o delegado.
As investigações, iniciadas após um pedido do marido da vítima, reforçaram que o instrumento cirúrgico atravessou a parede do tórax e atingiu os órgãos vitais, tornando o quadro irreversível.
PRÓXIMOS PASSOS
Com a conclusão do inquérito, o documento foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), que decidirá se oferece denúncia formal contra os médicos à Justiça.

