*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), reuniu provas robustas que contestam a versão apresentada pelo serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26 anos, preso temporariamente pelo assassinato do professor Breno Antonio Humberto de Moraes, de 25 anos.
Segundo as investigações, o acusado estava no local e no momento exato da execução em Várzea Grande, além de ter conhecimento do ponto onde o corpo da vítima foi deixado. A DHPP também identificou que Elias ficou com o celular de Breno e chegou a se passar pelo professor após o crime.
Em entrevista concedida nesta terça-feira, dia 13 de outubro, ao Programa do POP, o delegado responsável pelo caso, Bruno Abreu, detalhou as inconsistências no depoimento de Elias e afirmou que o investigado “mentiu descaradamente” ao tentar minimizar a participação dele no homicídio.
Durante o interrogatório, o serralheiro alegou que foi ao local apenas para acompanhar a ação, com a intenção de dar um “corretivo” na vítima, mas negou ter participado da execução. Elias afirmou que seguiu de carro a motocicleta que transportava o professor Breno e que, no local combinado, encontrou o motociclista e um terceiro homem, que teriam agredido a vítima, tomado o celular dele e praticado o crime, enquanto ele permanecia no veículo.
A versão foi categoricamente rejeitada pelos investigadores.
“Pelo que ele conta, ele apenas foi lá para testemunhar o fato. Isso não existe. Ele participou. Após os fatos, eu perguntei para ele a hora que ele teria saído de lá. Ele dá horários que não batem com o horário que ele estava falando com o irmão da vítima”, revelou o delegado Bruno Abreu.
O delegado classificou a declaração como fantasiosa.
“Ele deu uma declaração até meio fantasiosa pra gente, dizendo que pegou um amigo, que já tinha conversado com ele dias antes, que ele estava passando pelo mesmo problema dele e, no dia 26, eles resolveram praticar esse crime”, completou.
A tese de que haveria comparsas ganhou ainda mais fragilidade quando o acusado foi questionado sobre a identidade dos homens que supostamente cometeram o assassinato. Elias mencionou um indivíduo que conhecia de cavalgadas, mas não soube nome completo.
“Ele deu, supostamente, a pessoa que estaria na moto, só que ele não consegue dizer o nome todo, o Instagram. É uma pessoa que, segundo ele, fazia cavalgada com ele. Mas ele não soube informar onde mora, o nome todo. Ele deu um nome fictício para nós”, explicou o titular da DHPP.
Outra linha apresentada pelo serralheiro em depoimento apontava para uma possível motivação passional. Elias alegou que temia que o professor revelasse à sua esposa que ele mantinha encontros extraconjugais com outra mulher. No entanto, o suspeito também não soube dar detalhes sobre quem seria essa suposta amante.
“A gente não acredita em nada que ele falou. Ele deu uma motivação apontando, inclusive, uma menina que ele teria saído e tava com medo da vítima contar para a esposa. Mas ele não conta como conheceu ela, quantas vezes saiu com ela. Ele também não sabe dizer quem é essa pessoa. Pra gente, ele mentiu descaradamente”, enfatizou Bruno Abreu.
Elias Samuel Delgado da Silva cumpre mandado de prisão temporária. A Polícia Civil trabalha agora no encerramento do inquérito para consolidar a real motivação do crime e apurar se há outros envolvidos na ação criminosa.
“Nós temos aí 30 dias de prisão temporária, podendo ser prorrogada por mais 30 para que a gente possa, não só identificar os outros envolvidos, mas também saber a real motivação do crime. Apesar da gente já ter uma linha de investigação”, concluiu o delegado.
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