*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira, dia 8 de setembro, a Operação Basalto, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão de comerciantes e lavagem de dinheiro. A ação mobilizou dezenas de policiais civis para o cumprimento de 34 ordens judiciais em quatro municípios do estado.
De acordo com as informações, a operação cumpre ao todo 34 mandados, sendo 12 de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão. As diligências estão sendo executadas nos municípios de Pedra Preta, Rondonópolis, Itiquira e Cuiabá, além de cumprimentos de mandados no interior de unidades prisionais do estado, onde parte da cúpula da facção mantinha o comando das ações.
Paralelamente às prisões, a Justiça determinou medidas cautelares para outros oito investigados, incluindo:
-Comparecimento periódico em juízo;
-Proibição de contato com os demais envolvidos;
-Restrição de acesso a determinados locais e atividades ligadas à investigação;
-Proibição de ausentar-se da comarca sem autorização judicial.
A ofensiva policial também atingiu o patrimônio do esquema criminoso. Foram decretados o bloqueio de ativos financeiros de três investigados e de uma pessoa jurídica, além da suspensão das atividades econômicas e financeiras de uma empresa suspeita de ser utilizada para movimentar e ocultar os recursos ilícitos obtidos pela organização.
As investigações que culminaram na Operação Basalto tiveram início a partir de uma prisão em flagrante por tráfico de drogas realizada em fevereiro de 2025, no município de Pedra Preta.
A análise do material apreendido na ocasião, que incluiu mensagens de texto, áudios, imagens, comprovantes de transferências bancárias e planilhas detalhadas de controle, revelou a estrutura ramificada da facção criminosa na região. O inquérito apontou que boa parte das atividades ilícitas e das ordens de comando era coordenada de dentro de unidades prisionais, facilitada pelo uso clandestino de aparelhos celulares pelos detentos.
Um dos pontos de maior gravidade revelados pela investigação foi a atuação violenta da facção contra o comércio local. A polícia identificou que mais de 50 estabelecimentos comerciais em Pedra Preta eram alvos de extorsão.
Os criminosos impunham cobranças periódicas de valores aos empresários e comerciantes da região, que eram constrangidos a pagar sob ameaça de graves represálias. O esquema operava com alto nível de organização. A polícia reuniu diálogos, planilhas detalhadas, listas nominais de estabelecimentos, valores individualizados cobrados de cada vítima e comprovantes de transferências bancárias.
Para dificultar o rastreamento do dinheiro extorquido e oriundo do tráfico, a organização utilizava contas bancárias de terceiros ‘laranjas’, além de uma empresa de fachada criada especificamente para receber e lavar os valores ilícitos movimentados pela facção.
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