*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Nesta sexta-feira, dia 7 de agosto, a Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, deflagrou a Operação Entreposto.

A ação visa desarticular uma associação criminosa especializada em roubos de cargas de soja nas rodovias da região sul do estado, contabilizando um desvio estimado de aproximadamente 197 toneladas do grão.
Autorizadas pelo Poder Judiciário, a operação cumpre 15 mandados judiciais voltados a desmantelar o núcleo do grupo criminoso nas cidades de Rondonópolis e Primavera do Leste.

A operação mobiliza equipes policiais para o cumprimento de 4 mandados de prisão preventiva, 11 mandados de busca e apreensão.
Nas diligências de busca, as equipes apreendem veículos, incluindo uma caminhonete e um automóvel, aparelhos celulares, documentos e diversos equipamentos eletrônicos utilizados para articular a logística dos crimes.

Os investigados responderão criminalmente perante a Justiça por roubo majorado e associação criminosa. As investigações continuam para identificar eventuais receptadores e outras pessoas jurídicas envolvidas na comercialização da soja ilegal.
As investigações conduzidas pela Derf revelaram um planejamento minucioso por trás dos crimes cometidos ao longo dos últimos meses nas rodovias federais BR-163 e BR-364, na região de Rondonópolis. O grupo focava exclusivamente na subtração das safras, operando com funções bem definidas entre os membros.

Um dos investigados trabalhava como motorista e simulava ser vítima de roubo para encobrir sua participação nos crimes. Constatou-se que ele participou ativamente de três ações anteriores fingindo ser alvo, sendo agora um dos alvos de mandado de prisão preventiva. O segundo suspeito era responsável pela logística das operações e conduzia as carretas roubadas. O terceiro envolvido é proprietário de uma empresa transportadora e utilizava a estrutura da firma para transportar os comparsas e facilitar a prática dos roubos. O quarto indivíduo foi identificado como um dos assaltantes diretos.
A EXECUÇÃO DOS CRIMES
Durante as ações, os criminosos abordavam os caminhões em trânsito, rendiam os motoristas e os mantinham em cárcere privado. Após retirarem integralmente a carga, os caminhões eram abandonados, evidenciando que o objetivo principal da quadrilha era a subtração dos grãos e não dos veículos.
Com a carga em mãos, os suspeitos transferiam a soja para outros veículos de transporte. O comboio seguia pela rodovia com o suporte de automóveis que atuavam como batedores, monitorando a fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A “LAVAGEM” DA SOJA: APARÊNCIA DE LEGALIDADE
Um dos pontos centrais da investigação foi a descoberta de como o grupo tentava dar aparência lícita aos grãos roubados. A quadrilha utilizava notas fiscais de transporte emitidas por uma empresa de armazenagem. A documentação preenchia os requisitos formais necessários para “esquentar” a soja no mercado, dificultando a fiscalização de rotina.

