*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira, dia 14 de outubro, a Operação Aposta Final, cujo objetivo é desarticular um esquema de divulgação ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro no estado. A ação foi coordenada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) em conjunto com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

Ao todo, estão sendo cumpridas 19 ordens judiciais, expedidas pelo Poder Judiciário. Entre as medidas autorizadas estão o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 102,4 milhões, a apreensão de veículos de alto valor, além da suspensão das atividades econômicas de empresas usadas no esquema.

Os principais alvos das buscas são uma influenciadora digital residente em Várzea Grande e seu marido. A Justiça determinou busca e apreensão domiciliar, ou seja, 3 mandados cumpridos em endereços do casal. Além da apreensão de veículos, sendo 4 mandados direcionados a veículos de luxo, duas caminhonetes, uma picape e um carro, indisponibilidade de ativos financeiros até o limite de R$ 102,4 milhões e suspensão das atividades financeiras e econômicas de duas empresas utilizadas pelo grupo, um salão de beleza e um açougue, localizados em Várzea Grande e Cuiabá.

A Justiça ainda determinou a exclusão de perfis em redes sociais, bloqueio do site de divulgação de apostas e quebra do sigilo de dados telemáticos.
DENÚNCIA DE FACÇÃO CRIMINOSA E MOVIMENTAÇÃO MILIONÁRIA
As investigações da GCCO e Draco tiveram início em agosto de 2026, após o recebimento de denúncias apontando a possível atuação de uma facção criminosa na promoção de plataformas de jogos on-line e na prática sistemática de lavagem de dinheiro.

Durante as diligências, a Polícia Civil identificou diversas publicações da influenciadora digital promovendo links direcionados a plataformas de apostas não autorizadas. Ao clicar nos endereços eletrônicos, os seguidores eram guiados para um site onde os pagamentos via Pix tinham como destinatárias duas empresas intermediárias. Nenhuma das plataformas constava na lista oficial de casas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
A análise financeira revelou que apenas uma das empresas movimentou impressionantes R$ 102,4 milhões entre 14 de maio e 12 de julho de 2026. Os investigadores constataram um fluxo atípico de créditos e débitos, com recebimento e repasse de valores em sequência imediata, dinâmica característica de dissimulação de capitais oriundos de jogos ilegais.
Além do volume financeiro expressivo das empresas intermediárias, a polícia constatou uma rápida e injustificada evolução patrimonial do casal. Os investigados ostentavam imóveis residenciais de alto padrão, frota de veículos de luxo e despesas frequentes com viagens internacionais, itens totalmente incompatíveis com os rendimentos lícitos declarados.
Durante as buscas realizadas nesta quarta-feira, foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, mídias e registros financeiros que passarão por perícia técnica. As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do esquema e aprofundar as conexões com o crime organizado.

