*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira, dia 8 de junho, a Operação Quadro Disciplinar no município de São José dos Quatro Marcos, no interior do estado. A ofensiva visa desarticular o braço violento de uma organização criminosa que atuava na região, sendo responsável por comandar sessões de tortura e o tráfico de entorpecentes.

Ao todo, os policiais civis saíram às ruas para cumprir 22 ordens judiciais. O pacote de medidas inclui quatro mandados de prisão preventiva, dois mandados de internação provisória de adolescentes e nove mandados de busca e apreensão domiciliar, além de outras cautelares.
O “QUADRO DISCIPLINAR” E A PUNIÇÃO POR QUEBRA DE REGRAS
As investigações apontaram que os alvos integravam o chamado “Quadro Disciplinar” da facção, uma espécie de comitê de execução encarregado de fiscalizar o cumprimento das normas internas impostas pelo crime e aplicar punições severas, conhecidas no jargão criminoso como “salves”.

O grupo agia com extrema violência física e psicológica nos “tribunais do crime”. As principais vítimas eram usuários de drogas em débito e pequenos traficantes da região que descumprissem as regras de convivência da facção ou que fossem flagrados comprando entorpecentes de fornecedores alheios à organização.
ORDENS PARTIAM DE DENTRO DAS PENITENCIÁRIAS
Um dos pontos de destaque da investigação da Polícia Civil é o monitoramento da cadeia de comando do grupo. Os delegados constataram que as decisões de tortura e execução eram tomadas de forma remota.
Lideranças da facção que já se encontram detidas no sistema prisional do estado exerciam o comando direto das ações, autorizando e ditando como os crimes de lesão corporal e tortura deveriam ser executados nas ruas pelos comparsas em liberdade ou pelos menores aliciados.
O material apreendido durante as buscas domiciliares desta manhã passará por análise da equipe de investigação para identificar novos envolvidos e robustecer o inquérito policial.
Todos os presos foram encaminhados para as unidades prisionais correspondentes, onde ficarão à disposição do Poder Judiciário.

