*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Receita Federal do Brasil, deflagrou na manhã desta quarta-feira, dia 4 de novembro, a Operação Ifrit. A investigação, autorizada pela Justiça Federal de Campo Grande (MS), visa desmantelar uma organização criminosa transnacional especializada em tráfico de drogas, contrabando de armas e lavagem de dinheiro, com forte atuação no Centro-Oeste brasileiro e tentáculos na Europa.

Em Mato Grosso, um dos sete estados alvos das ordens judiciais, equipes federais cumpriram mandados de busca e apreensão para desarticular rotas logísticas e estruturas de apoio financeiro do grupo no estado.
Ao todo, a Justiça Federal expediu 105 medidas judiciais, mobilizando centenas de agentes públicos nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás e Rondônia.
As ordens judiciais incluem: 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva, 1 mandado de prisão temporária, 3 medidas cautelares de monitoração eletrônica, além do afastamento das funções públicas de três policiais civis.

Segundo as apurações da PF e da Receita Federal, a narcoquadrilha mantinha a base operacional na faixa de fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Para manter o domínio territorial e subjugar facções rivais, o grupo estruturou uma verdadeira milícia armada, utilizando veículos blindados, armamento de uso restrito e equipes de apoio tático.
As investigações apontam que a organização criminosa é liderada por um núcleo familiar associado a facções nacionais. A estrutura contava ainda com a cooperação de agentes de segurança pública, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal, que facilitavam o trânsito de cargas e repassavam informações privilegiadas.
Além do narcotráfico e do comércio ilegal de armas, os membros da quadrilha são investigados por crimes de extrema violência, como sequestros, sessões de tortura, atentados e homicídios encomendados na região fronteiriça.
ROTA INTERNACIONAL: DA BOLÍVIA À EUROPA
O esquema logístico investigado pela Operação Ifrit traçou um complexo corredor transnacional. Os entorpecentes e o armamento eram adquiridos nos países produtores, Bolívia, Peru e Paraguai, e ingressavam no Brasil por rotas terrestres que cortavam o Centro-Oeste.
Parte das drogas era destinada aos grandes centros urbanos brasileiros, enquanto cargas de alto valor eram direcionadas para corredores de exportação marítima rumo à Europa, com desembarque confirmado na Espanha e em Portugal.

