A Polícia Federal (PF) estuda solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de patrimônio e recursos financeiros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após sua saída do Brasil com destino aos Estados Unidos. A medida teria como objetivo pressionar o parlamentar a retornar ao país, em meio a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a plataformas de apostas esportivas.
Flávio Bolsonaro pode ter bens bloqueados pela Justiça
A possibilidade de restrições patrimoniais contra Flávio Bolsonaro está sendo analisada por investigadores que acompanham o caso no Supremo Tribunal Federal. A apuração é conduzida sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelas decisões judiciais relacionadas ao inquérito.
O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira (27) e seguiu para os Estados Unidos, onde o governo de Donald Trump autorizou sua permanência. Diante desse cenário, integrantes da Polícia Federal avaliam alternativas para garantir que o parlamentar permaneça à disposição das autoridades brasileiras.
Uma das medidas consideradas é o bloqueio de contas, valores e propriedades. A estratégia busca restringir a movimentação financeira de investigados e, conforme a avaliação dos responsáveis pela apuração, dificultar a continuidade de eventuais atividades ilícitas.
Investigação também envolve empresário ligado ao senador
O advogado e empresário Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio, também é investigado no mesmo procedimento. Ele está nos Estados Unidos desde agosto e já foi alvo de medidas determinadas por Alexandre de Moraes.
Na decisão envolvendo Tomaz, o ministro autorizou o acesso a informações bancárias, fiscais e cambiais do investigado. Também determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, com limite estabelecido em R$ 6 bilhões.
A possibilidade de aplicação de providências semelhantes contra Flávio Bolsonaro passou a ser considerada pelos investigadores após a saída do senador do território brasileiro. Até o momento descrito nas informações sobre o caso, a eventual extensão dessas restrições ao parlamentar estava em análise.
PF já havia alertado para risco de saída de Flávio do Brasil
Antes da viagem, a Polícia Federal encaminhou ao STF um pedido no qual apontou a possibilidade de Flávio deixar o país. A solicitação foi apresentada no domingo (25), quando os investigadores manifestaram preocupação com um possível risco de evasão.
Na ocasião, em vez de propor inicialmente a prisão preventiva, a PF sugeriu que o senador entregasse seus passaportes e fosse proibido de manter contato com Willer Tomaz.
Flávio foi intimado na segunda-feira (26), mas não apresentou os documentos solicitados. Posteriormente, os passaportes foram cancelados pela Polícia Federal.
O descumprimento da determinação levou os investigadores a considerar outras medidas judiciais, incluindo a possibilidade de pedir a prisão preventiva do senador. Entretanto, segundo a avaliação atribuída a integrantes da investigação, uma eventual ordem de prisão poderia enfrentar dificuldades para produzir efeitos imediatos, uma vez que Flávio está em território norte-americano.
Inclusão na lista da Interpol também é considerada
Caso Alexandre de Moraes determine a prisão preventiva, o nome de Flávio poderá ser submetido aos mecanismos de cooperação internacional da Interpol, incluindo a chamada lista vermelha, utilizada para localizar pessoas procuradas e solicitar sua detenção provisória para fins de extradição.
A inclusão nesse sistema, porém, não representa uma ordem de prisão automaticamente executável em qualquer país. A adoção de providências depende da legislação local e da avaliação das autoridades competentes no território em que a pessoa procurada for localizada.
Na terça-feira (27), deputados do Partido dos Trabalhadores apresentaram petições ao STF solicitando que Flávio fosse incluído na difusão da Interpol. Os parlamentares também pediram que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre os acontecimentos.
Enquanto isso, a Polícia Federal realizou diligências para reconstruir o itinerário utilizado pelo senador durante a saída do Brasil.
Trajeto de Flávio passou pela Argentina antes de seguir ao Equador
Informações atribuídas à Direção Nacional de Migrações da Argentina indicam que Flávio Bolsonaro ingressou no país vizinho às 22h50, utilizando a Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Foz do Iguaçu, no Paraná.
Aproximadamente 40 minutos depois, o senador embarcou em uma aeronave particular com destino a Guayaquil, no Equador. Ele estava acompanhado da mulher e das duas filhas.
A reconstrução do percurso integra os esforços das autoridades para esclarecer as circunstâncias da viagem e identificar os deslocamentos realizados pelo parlamentar antes de chegar ao destino final.
O levantamento das informações sobre a rota também ocorre em meio à análise das medidas que poderão ser solicitadas ao Judiciário brasileiro.
Eduardo Bolsonaro teria articulado viagem com autoridades dos EUA
A viagem de Flávio também teria contado com a participação de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Conforme relatos de pessoas próximas à família, ele teria articulado a chegada do senador aos Estados Unidos junto a representantes do governo norte-americano.
Eduardo reside no Texas, mas teria viajado à Flórida com a mulher e os filhos para encontrar o irmão. O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que concederia vistos ao senador e aos familiares.
Outro integrante do grupo político que manteve contato recente com Flávio foi o senador Rogério Marinho (PL-RN), que atuou como coordenador de sua campanha.
Segundo as informações divulgadas, Marinho recebeu uma mensagem por volta das 8h, na qual Flávio afirmou que precisava se afastar temporariamente para espairecer. Depois desse contato, o senador não teria respondido às novas tentativas de comunicação.
Aliados teriam aconselhado permanência no Brasil
Durante uma reunião realizada na segunda-feira (26), Flávio teria demonstrado receio de ser preso, segundo relatos de pessoas que participaram do encontro com aliados e advogados. Os interlocutores teriam recomendado que ele permanecesse no Brasil e assumisse a liderança da oposição, considerando sua posição na família Bolsonaro e sua atuação política.
O senador também havia combinado uma reunião com deputados e senadores do Partido Liberal para a terça-feira seguinte. O encontro teria como finalidade organizar mobilizações políticas.
A saída do país, entretanto, alterou os planos previstos com os integrantes do partido e abriu uma nova frente de preocupação para os investigadores responsáveis pelo caso.

