*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O pastor Nivaldo de Almeida morreu em Cuiabá no último sábado, dia 5 de setembro, vítima de complicações decorrentes de um câncer. Ele era um dos alvos investigados pela Polícia Civil no âmbito da Operação Fariseus, deflagrada em julho deste ano. O sepultamento do pastor ocorreu na manhã do domingo, dia 6 de setembro, na Capital.
ENTENDA O CASO
A Operação Fariseus foi deflagrada em 16 de julho deste ano, pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
No decorrer das investigações, o juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo do Juízo das Garantias, determinou a manutenção da prisão preventiva de Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos, filha de Nivaldo de Almeida e da também investigada Orminda Carlos de Barcelos Almeida.
Ao negar a liberdade da acusada, o magistrado fundamentou a decisão na gravidade das condutas imputadas à jovem, apontada como peça-chave no suporte operacional e comunicacional de uma facção criminosa com base no Rio de Janeiro, visando garantir a ordem pública e evitar a obstrução das investigações.
A FÉ COMO FACHADA PARA O CRIME
As investigações revelaram que os suspeitos utilizavam o projeto “Equipe Evangelismo Resgatando Vidas”, ligado a uma igreja evangélica, como fachada para atividades criminosas. Sob o disfarce de “missionários”, os investigados ganhavam a confiança das autoridades prisionais para acessar áreas sensíveis da Penitenciária Central do Estado (PCE).
Em vez de realizarem atividades religiosas, o grupo facilitava a comunicação entre detentos, lideranças em liberdade e familiares de faccionados, atuando como o elo central na transmissão de recados da facção.
ENVOLVIMENTO E LAVAGEM DE DINHEIRO
Os levantamentos da Polícia Civil apontam que Rhavenna mantinha um relacionamento amoroso com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, que é líder faccionado e se encontra foragido. Provas telemáticas obtidas na investigação mostram a jovem em comunidades do Rio de Janeiro posando com armamento de grosso calibre, como fuzis e pistolas.
Além da logística de comunicação, diálogos interceptados flagraram Rhavenna influenciando decisões violentas do chamado “tribunal do crime”, o que incluiu a autorização de punições físicas e “salves” contra terceiros.
O grupo também é suspeito de realizar a lavagem de dinheiro da facção por meio da triangulação de contas bancárias, permitindo que a família mantivesse um padrão de vida luxuoso com viagens e procedimentos estéticos incompatíveis com suas rendas.
As apurações ainda identificaram tratativas para a comercialização de armas que estariam escondidas em uma propriedade rural da família.

