*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A reviravolta na chapa majoritária do senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo de Mato Grosso que substituiu o empresário Marcelo Maluf (Novo) pelo médico Alencar Farina (PL), continua gerando forte turbulência política. Além de romper alianças e atrair duras críticas públicas, a escolha de Farina acendeu um sinal vermelho na ala mais ideológica do bolsonarismo mato-grossense, que passou a questionar publicamente a viabilidade da chapa ao Palácio Paiaguás devido ao histórico político do novo vice.
A oficialização de Alencar Farina resgatou antigas articulações. O principal alvo de contestação por parte do bolsonarismo é o histórico de proximidade do médico com partidos de esquerda. Críticos já classificam Wellington Fagundes como “melancia”, termo utilizado para definir figuras vistas como “verdes por fora e vermelhas por dentro”.
Depois da nova escola de Wellington, voltou a circular fotografia datado de abril de 2008, no qual Farina aparece ao centro, segurando uma bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT).
A trajetória política de Farina é marcada por trânsito em diferentes correntes partidárias:
-2004: Filiado ao PL, Farina foi escolhido como candidato a vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César (PT), em uma coligação que reuniu PT, PL e PCdoB. A chapa chegou ao segundo turno e obteve 47,15% dos votos válidos, sendo derrotada por Wilson Santos (PSDB).
-2008: O médico figurou em listas de candidatos a vereador de Cuiabá pelo PT, com seu nome cotado inclusive para disputas majoritárias na Capital.
-2012: O PT chegou a lançar Farina como pré-candidato à Prefeitura de Várzea Grande, embora a oficialização posterior tenha cabido a Cida Cortez após ajustes internos na legenda.
Ironia do destino ou pragmatismo político, a relação entre Farina e Wellington Fagundes não é nova. Em 2003, após deixar o PMDB, Farina ingressou no PL com filiação abonada pelo então vice-presidentes da República José Alencar, em um ato liderado pelo próprio Wellington Fagundes. Anos após migrar para o campo progressista e disputar eleições na esquerda, Farina retorna ao ninho do antigo aliado para compor uma chapa pura do PL.
A CRISE COM O PARTIDO NOVO E A INDIGNAÇÃO DE MARCELO MALUF
A guinada na chapa também implodiu a aliança construída com o partido Novo. O empresário e fundador do Grupo São Benedito, Marcelo Maluf, que havia recuado de uma pré-candidatura própria ao governo estadual para integrar o projeto de Fagundes como candidato a vice, não poupou críticas após ser sumariamente substituído por Farina de última hora.
Em nota pública duríssima enviada à imprensa, Maluf classificou a decisão como uma quebra de palavra e um reflexo da “velha política”:
“Política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, palavra. Infelizmente, o senador Wellington Fagundes e o Partido Liberal de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender o significado desses princípios — o que só contribui para apodrecer a boa política”, disparou o empresário.
Maluf destacou que sua indicação havia sido formalizada dentro das instâncias partidárias e referendada em convenção, envolvendo a mobilização de equipes e estruturação estratégica de campanha. Na avaliação do empresário, quem pretende governar o estado precisa demonstrar confiabilidade:
“Não é possível pedir confiança a mais de três milhões de mato-grossenses quando não se consegue honrar compromissos assumidos dentro da própria casa”.

