*SêmiaMauad/ Opinião MT
O ex-governador e candidato ao Senado por Mato Grosso, Mauro Mendes (União), defendeu abertamente a abertura de investigações para apurar as suspeitas envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A declaração foi dada na noite da última segunda-feira, dia 14 de setembro, após sua participação em uma sabatina na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).
Para o ex-chefe do Executivo estadual, o princípio da igualdade perante a lei deve ser absoluto, alcançando inclusive as mais altas autoridades da República.
“Qualquer brasileiro pode ser investigado, seja governador, seja ex-governador, seja presidente, seja juiz, desembargador ou cidadão comum. Se há uma suspeita, você tem que investigar”, afirmou Mendes em entrevista a imprensa.
O candidato apontou que os recentes fatos tornados públicos exigem rigor e transparência da Justiça. Segundo ele, o ministro Alexandre de Moraes precisa ser alvo de apuração diante dos elementos revelados nos últimos dias.
“Alexandre tem que ser investigado porque repousam sobre ele, neste momento, alguns fatos que foram tornados públicos nos últimos dias, além dos que já eram públicos, de contratos e tudo mais, que, no mínimo, merecem uma investigação com profundidade e uma resposta séria à sociedade brasileira. O nosso país não aguenta mais viver essa novela mexicana do STF”, criticou.
Questionado sobre a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal decidir pelo arquivamento ou entender que não há elementos suficientes para instaurar o inquérito, Mauro Mendes classificou tal hipótese como impensável diante do cenário atual.
“Eu não quero fazer esse tipo de ilação porque ela seria muito absurda. As evidências daquilo que foi tornado público há poucos dias mostram que, no mínimo, tem que se começar imediatamente, dentro do próprio STF ou do Senado, uma investigação com profundidade”, pontuou.
Sobre a condução do caso liderada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, Mendes preferiu adotar cautela temporária, mas cobrou atenção máxima aos desdobramentos desta terça-feira.
“Eu não quero fazer nenhum juízo de valor prematuro quanto às atitudes e às intenções do presidente Fachin. Vamos aguardar. Vai ser um dia importante. Deverá ter mais audiência essa sessão do STF do que têm os jogos da Seleção Brasileira.”
O candidato ainda utilizou uma analogia para dimensionar o peso que o Judiciário ganhou no cotidiano do país, lamentando a politização e a centralidade excessiva da Suprema Corte no cenário nacional.
“Hoje, se perguntar aos brasileiros o nome de três jogadores da Seleção, é provável que a maioria não saiba. Agora, o nome dos ministros do STF muita gente sabe. Isso mostra que tem algo de muito errado acontecendo neste país. O Supremo, a Corte, não pode ficar sendo o centro das atenções e dos debates em um país que seja minimamente civilizado”, concluiu.
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