A nova edição do Relatório Focus, divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (18), revelou aumento nas projeções da inflação e da taxa básica de juros para 2026. O levantamento, elaborado a partir das estimativas de instituições financeiras consultadas pelo mercado, mostrou que a expectativa para o IPCA voltou a subir pela décima semana consecutiva, ultrapassando novamente o teto da meta estabelecida para o período.
Inflação segue acima da meta projetada
Os dados mais recentes indicam que a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 passou de 4,91% para 4,92%. O movimento reforça a percepção de pressão persistente sobre os preços da economia brasileira, mantendo o indicador acima do limite superior da meta oficial, fixada em 4,5%.
Para 2027, a estimativa foi mantida em 4%, repetindo o mesmo patamar observado nas últimas semanas. Já para 2028, houve um leve avanço, passando de 3,64% para 3,65%. Em relação a 2029, os analistas mantiveram a previsão em 3,5%, cenário que permanece estável há vários meses.
IGP-M também registra avanço
Outro índice acompanhado pelo mercado, o IGP-M, apresentou nova elevação nas projeções para 2026. A estimativa subiu de 5,60% para 5,63%, marcando a 11ª alta consecutiva no indicador. As projeções para os anos seguintes permaneceram sem alterações significativas. Para 2027, o mercado espera alta de 4%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 ficaram em 3,82% e 3,70%, respectivamente.
Alta da inflação influencia expectativa para juros
Com o avanço das previsões inflacionárias, os analistas também revisaram para cima a estimativa da taxa Selic ao fim de 2026. A expectativa passou de 13% para 13,25% ao ano. Para os anos seguintes, as projeções permaneceram estáveis. Em 2027, a Selic deve encerrar o período em 11,25%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa continua em 10% ao ano.
A manutenção de juros elevados costuma ser utilizada como estratégia para conter o avanço da inflação, reduzindo o ritmo de consumo e desacelerando a atividade econômica.
Preços administrados apresentam leve recuo
Na contramão das demais projeções, os preços administrados tiveram redução na expectativa para 2026. A previsão caiu de 5,01% para 4,93%, após um período de estabilidade. Para os anos seguintes, o mercado manteve as estimativas inalteradas: 3,8% em 2027 e 3,5% tanto em 2028 quanto em 2029.
PIB e dólar têm poucas mudanças nas projeções
As perspectivas para o crescimento econômico brasileiro seguiram praticamente estáveis no novo boletim Focus. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 permaneceu em 1,85%. Já para 2027, houve uma leve revisão positiva, passando de 1,76% para 1,77%. Para 2028 e 2029, os analistas seguem projetando crescimento de 2% para a economia brasileira.
No câmbio, a previsão para o dólar ao fim de 2026 continuou em R$ 5,20. Para 2027, a expectativa caiu de R$ 5,30 para R$ 5,27. Em 2028, houve recuo de R$ 5,35 para R$ 5,34, enquanto a estimativa para 2029 permaneceu em R$ 5,40.
Como funciona o Relatório Focus
Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o Relatório Focus reúne as projeções de economistas e instituições financeiras sobre diversos indicadores da economia brasileira. O documento apresenta estimativas para inflação, taxa de juros, crescimento do PIB, câmbio e outros índices relevantes para o mercado financeiro. As informações são coletadas até a sexta-feira anterior à publicação oficial do boletim.
As projeções não representam posicionamentos do Banco Central, mas refletem a percepção do mercado sobre o cenário econômico futuro.

