Em um movimento histórico, mais de 50 universidades federais brasileiras, centros de educação e institutos federais entraram em greve nesta segunda-feira (15), reivindicando reajuste salarial, igualdade de benefícios e melhores condições de trabalho. A paralisação, que já afeta mais de 500 mil estudantes, é um duro golpe para o ensino superior público no país.
Reajuste salarial e igualdade de benefícios
No centro das reivindicações dos docentes está a questão salarial. Os professores pedem um reajuste de 22%, dividido em três parcelas iguais ao longo dos próximos três anos. Além disso, reivindicam igualdade de benefícios e auxílios com os servidores do Legislativo e do Judiciário, incluindo auxílio alimentação, assistência pré-escolar e plano de saúde.
Outras demandas incluem a revogação de atos normativos que impactam negativamente a carreira dos docentes, a melhoria das condições de trabalho e a ampliação do investimento em pesquisa e ensino.
O Ministério da Educação (MEC), por sua vez, ofereceu um reajuste de apenas 9%, além de aumento no auxílio alimentação e na assistência pré-escolar. No entanto, o sindicato dos docentes rejeitou a proposta, alegando que ela não atende às necessidades da categoria.
Paralisação em crescimento e impactos na educação
A greve, que teve início com 18 instituições, já se alastrou para mais de 50 universidades, com indicativo de paralisação em outras cinco e oito já estão em estado de greve desde a semana passada.
Status da Greve | Instituições Afetadas |
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Universidades que pararam atividades em 15 de abril | Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG); Instituto Federal do Piauí (IFPI); Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB); Universidade Federal de Brasília (UnB); Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Universidade Federal de Viçosa (UFV); Universidade Federal do Cariri (UFCA); Universidade Federal do Ceará (UFC); Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Universidade Federal do Pará (UFPA); Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa); Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); Universidade Federal de Rondônia (UNIR) |
Universidades com indicativo de greve após 15 de abril | Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ); Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – campi Alvorada, Canoas, Osório, Porto Alegre, Restinga, Rolante e Viamão; Universidade Federal de Sergipe (UFS); Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) |
Universidades com indicativo de greve aprovado, mas sem data de início | Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI); Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Universidade Federal do Piauí (UFPI); Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) |
Universidades em estado de greve | Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Universidade Federal do Pampa (Unipampa); Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA); Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) |
O movimento grevista já afeta o calendário letivo, com aulas suspensas e pesquisas comprometidas. A longo prazo, a greve pode ter um impacto significativo na qualidade do ensino superior público no país.
Negociações e futuro incerto
O Andes-SN, sindicato que representa os docentes, afirma que está aberto ao diálogo com o governo, mas que não cederá enquanto suas principais reivindicações não forem atendidas. O MEC, por outro lado, afirma que está buscando soluções para o impasse, mas não deu prazos para a resolução do conflito.
O futuro da greve ainda é incerto, mas o movimento já demonstra a força e a união dos docentes em busca de seus direitos e da valorização da educação pública no Brasil.
A greve das universidades federais é um momento crucial para o futuro da educação superior no Brasil. É fundamental que o governo e os docentes encontrem um acordo que atenda às necessidades da categoria e que garanta a qualidade do ensino para os estudantes.