O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu a disputa presidencial em 13 estados brasileiros, além dos votos registrados no exterior, no segundo turno realizado neste domingo, 25. Um dos principais destaques da apuração foi Minas Gerais, onde o petista conseguiu reverter a vantagem obtida pelo adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na primeira etapa da eleição. O resultado mineiro interrompeu uma sequência histórica observada desde 1998, quando o candidato que liderava no estado no primeiro turno também terminava vitorioso na disputa nacional.
Lula conquista vitória em Minas Gerais
A disputa em Minas Gerais terminou com uma diferença estreita entre os dois candidatos. Lula alcançou 50,43% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 49,57%, conforme os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A diferença de apenas 0,86 ponto percentual colocou o estado entre os principais destaques do segundo turno. Além de garantir a vitória do petista em território mineiro, o resultado representou uma mudança em relação ao primeiro turno, quando Flávio havia ficado à frente.
Nos demais estados, o candidato do PL manteve a liderança, vencendo em 13 unidades da Federação e no Distrito Federal. Apesar disso, o desempenho de Lula em diferentes regiões do país contribuiu para consolidar sua vitória no resultado nacional.
Resultado nacional define a disputa presidencial
Na apuração geral, Lula obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os candidatos chegou a aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O resultado demonstrou uma distribuição regional distinta da preferência do eleitorado. Enquanto o petista teve desempenho expressivo no Nordeste, o adversário concentrou suas maiores vantagens nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Lula amplia votação no Nordeste e avança no Norte
O Nordeste foi uma das regiões em que Lula ampliou de maneira significativa sua votação entre os dois turnos. O número de votos recebidos pelo presidente passou de 21,4 milhões na primeira etapa para 24,4 milhões na votação decisiva.
Flávio Bolsonaro também registrou crescimento na região, avançando de 10,3 milhões para 10,7 milhões de votos. Entretanto, a ampliação do eleitorado favorável a Lula contribuiu para fortalecer sua vantagem regional.
No Norte, o petista também conseguiu alcançar a liderança, com uma diferença superior a mil votos. Já entre os brasileiros residentes no exterior, Lula recebeu aproximadamente 200 mil votos, enquanto Flávio contabilizou 171 mil.
Adversário mantém vantagem em outras regiões
Apesar do avanço de Lula em parte do território nacional, Flávio Bolsonaro preservou vantagens expressivas em outras regiões. No Sul, a diferença favorável ao candidato do PL chegou a 4,5 milhões de votos.
No Sudeste, a vantagem foi de aproximadamente 2,8 milhões, enquanto no Centro-Oeste alcançou 1,8 milhão de votos. Mesmo nesses locais, os números indicaram redução da distância entre os candidatos em comparação com a primeira etapa da eleição.
Diferenças eleitorais diminuem em estados estratégicos
A redução das margens entre os candidatos também apareceu em estados nos quais Flávio Bolsonaro havia conquistado uma vantagem mais ampla no primeiro turno.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a diferença entre os dois concorrentes diminuiu de 13,6 pontos percentuais para 6,2 pontos. No resultado final, Flávio obteve 53,1% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 46,9%.
Em Goiás, a distância também recuou. A diferença registrada entre os candidatos passou de 22,5 pontos percentuais para 19,3 pontos. Na primeira etapa, outras candidaturas haviam reunido 15,3% dos votos, com o governador Ronaldo Caiado entre os nomes de maior votação, alcançando 12,3%.
Roraima registra a maior vantagem percentual
Roraima apresentou a maior diferença proporcional entre os candidatos. Flávio Bolsonaro conquistou 72,4% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 27,5%.
Ainda assim, a margem favorável ao candidato do PL diminuiu em relação ao primeiro turno. A diferença, que anteriormente era de 48,2 pontos percentuais, caiu para 44,9 pontos na etapa decisiva.
Os resultados demonstraram que, embora Flávio tenha preservado a liderança em diversos estados, o segundo turno apresentou mudanças nas proporções de votos em diferentes localidades.
Mobilização política marca a reta final da campanha
A campanha também foi marcada pela intensificação das atividades políticas nos dias que antecederam a votação. A militância ligada ao PT ampliou sua presença nas ruas após um primeiro turno em que debates envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) estiveram entre os assuntos de destaque.
Na véspera da eleição, Lula participou de mobilizações políticas em Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo.
O ambiente de campanha também se estendeu às plataformas digitais. O deputado André Janones, da Rede por Minas Gerais, reuniu mais de 10 milhões de inscritos em um canal no WhatsApp e promoveu uma transmissão de 24 horas com a participação de artistas após o debate realizado pela TV Globo.
As iniciativas integraram as estratégias de mobilização e comunicação utilizadas durante a fase final da disputa presidencial.
Comparecimento aumenta e abstenções diminuem
O segundo turno registrou um crescimento de aproximadamente 3 milhões de eleitores presentes às urnas. Mesmo com a elevação do comparecimento, o total de abstenções chegou a 30,4 milhões de pessoas.
A Bahia apresentou a maior redução proporcional de eleitores ausentes. O índice caiu de 19,97% no primeiro turno para 16,71% no segundo, uma diminuição de 3,26 pontos percentuais.
Pernambuco ocupou a segunda posição nesse levantamento, com redução de 2,99 pontos percentuais. A taxa de abstenção passou de 18,17% para 15,18%.
Nos dois estados, Lula conquistou votações expressivas. Na Bahia, o presidente alcançou 71,31% dos votos válidos, enquanto em Pernambuco obteve 69,2%.
Votos brancos e nulos atingem menor patamar em duas décadas
Outro dado relevante da eleição foi a redução dos votos brancos e nulos, que chegaram ao menor nível em aproximadamente 20 anos, de acordo com os números apresentados.
Os votos em branco passaram de 2,3 milhões, equivalentes a 1,84% do total, para 1,4 milhão, ou 1,12%. Já os votos nulos diminuíram de 3,6 milhões, correspondentes a 2,93%, para 2,7 milhões, ou 2,12%.
A queda desses indicadores ocorreu simultaneamente ao aumento do comparecimento às urnas, refletindo mudanças no comportamento do eleitorado entre as duas etapas da votação.

