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Leia: Laudo da Politec declara engenheiro agrônomo inimputável em caso de feminicídio e tentativa de homicídio
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OpiniãoMT > Blog > Violência contra a Mulher > Laudo da Politec declara engenheiro agrônomo inimputável em caso de feminicídio e tentativa de homicídio
Violência contra a Mulher

Laudo da Politec declara engenheiro agrônomo inimputável em caso de feminicídio e tentativa de homicídio

Jornalista Mauad
Publicado em: 17 de novembro de 2025
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4 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução/ Olhar Direto
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa Gleici Keli de Souza e esfaquear a filha de 7 anos em Lucas do Rio Verde, não responderá com pena de prisão, mas deverá ser submetido a internação psiquiátrica.

Um laudo pericial da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso, Politec, atestou que o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de assassinar a esposa Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, e de esfaquear a filha de 7 anos, é inimputável devido a um grave quadro de depressão.

A decisão pericial, que indica que Frasson não tinha plena capacidade de entender o caráter criminoso de seus atos no momento do crime, altera drasticamente o curso do processo. Se for declarado inimputável pela Justiça, o acusado será isento da pena de prisão, mas deverá ser submetido a medidas de segurança, que incluem internação e tratamento psiquiátrico compulsório.

O PEDIDO DE INSANIDADE E AS ALEGAÇÕES DA DEFESA DO ACUSADO

A instauração do incidente de insanidade mental partiu da defesa de Daniel Frasson, que alegou que o cliente sofria de sintomas de depressão profunda, perda de contato com a realidade e crises de síndrome do pânico.

O crime de extrema violência ocorreu em junho deste ano, em Lucas do Rio Verde, no interior do estado de Mato Grosso, e chocou a população. Gleici Keli Geraldo de Souza foi atacada com 16 facadas enquanto dormia e morreu no local. A filha do casal, de apenas 7 anos, também foi brutalmente atacada com oito facadas, sendo quatro no peito e quatro nas costas.

A criança foi socorrida e sobreviveu após passar 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após o ataque, Daniel Frasson desferiu uma facada no próprio abdômen, em uma suposta tentativa de suicídio. Ele também foi socorrido, passou por cirurgia e foi preso após receber alta médica.

A CONTROVÉRSIA LEVANTADA PELA FAMÍLIA DA VÍTIMA

A conclusão do laudo da Politec gerou forte reação e indignação na família de Gleici Keli.

A filha mais velha da vítima, Caroline Fernandes, manifestou publicamente questionamentos nas redes sociais, levantando dúvidas sobre a alegação de incapacidade mental, dada a vida pregressa e as ações do padrasto no momento do ataque.

“Como alguém que se formou, que trabalhava, que já teve carteira assinada, quem tem ou CNPJ (ou tinha até então), que já tirou passaporte, que dirigia, que fazia todas as atividades rotineiras possíveis, pode ser dito como ‘mentalmente insano’. Às vezes parece uma piada de muito mau gosto”, escreveu Caroline.

Ainda em seu desabafo, Caroline questionou os detalhes da ação de Daniel Frasson, que indicam lucidez e premeditação, e não um simples surto:

“Como alguém ‘incapaz de compreender o que estava fazendo no momento dos fatos’ abraça a própria filha pedindo desculpas por ter assassinado a mãe dela, enquanto ela dormia ao lado, e a apunhala com quatro facadas nas costas, deita ela e desfere mais quatro no peito? Como alguém em surto manda mensagem para o irmão contando o que fez? Conversa no telefone?”.

A decisão final sobre a inimputabilidade de Daniel Bennemann Frasson caberá ao juiz responsável pelo caso, que avaliará o laudo pericial em conjunto com todas as provas e depoimentos do processo para determinar a medida a ser aplicada.

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