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17 de março de 2026 17:03

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OpiniãoMT > Blog > Economia > INSS suspende novos consignados do C6 Bank após suspeita de irregularidades
Economia

INSS suspende novos consignados do C6 Bank após suspeita de irregularidades

INSS suspende consignados do C6 após identificar irregularidades em contratos com aposentados e exige devolução de R$ 300 milhões.

última atualização: 17 de março de 2026 15:10
Redação OPMT
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4 Minutos de Leitura
INSS suspende novos consignados do C6 Bank após suspeita de irregularidades
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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) determinou a suspensão de novos empréstimos consignados do banco C6 após a identificação de possíveis irregularidades em contratos firmados com aposentados da Previdência Social. A medida foi adotada com base em uma apuração da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou inconsistências na oferta de serviços vinculados aos créditos.

Suspensão envolve contratos com serviços embutidos

A decisão do INSS ocorre após auditorias indicarem que centenas de milhares de contratos de consignados estavam atrelados a produtos adicionais, como seguros e pacotes de serviços. De acordo com o levantamento, cerca de 320 mil contratos apresentavam esse tipo de prática, considerada irregular pelo órgão.

Venda casada é apontada como problema

Segundo os auditores, a inclusão desses itens caracteriza venda casada, prática proibida por normas que regem os empréstimos consignados. O entendimento é de que tais cobranças reduzem o valor efetivamente recebido pelos aposentados, uma vez que parte do crédito é comprometida com custos extras.

O INSS reforça que contratos desse tipo não podem conter tarifas ou produtos que não estejam diretamente relacionados ao empréstimo. Dessa forma, a presença de seguros ou serviços adicionais embutidos nos acordos foi considerada uma infração relevante.

C6 terá que devolver valores aos aposentados

Como consequência da decisão, o banco C6 deverá restituir cerca de R$ 300 milhões a segurados que teriam sido impactados pelas cobranças consideradas indevidas. A liberação para retomada da oferta de novos consignados está condicionada à devolução desses valores.

Além disso, o INSS rescindiu o acordo de cooperação técnica que permitia ao banco operar com desconto direto das parcelas na folha de pagamento dos beneficiários. Essa parceria era essencial para a concessão de crédito consignado aos aposentados.

Crescimento do C6 no mercado de consignados

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que o C6 teve uma expansão significativa nesse segmento nos últimos anos. Entre 2020 e 2025, a instituição acumulou cerca de R$ 20 bilhões em operações de crédito consignado.

No início de sua atuação nesse mercado, o banco contava com pouco mais de 500 clientes. Já em 2025, a carteira havia alcançado aproximadamente 3,3 milhões de contratos ativos, evidenciando um crescimento expressivo.

Histórico de questionamentos judiciais

O banco também já enfrentou decisões judiciais relacionadas a contratos de consignados. Em alguns casos, aposentados relataram descontos em seus benefícios sem a devida contratação, o que resultou em condenações e acordos com o Ministério Público Federal para a interrupção de práticas consideradas irregulares.

Entre os pontos analisados pela CGU, está a inclusão de seguros com valores próximos de R$ 500 dentro dos contratos, sem transparência adequada para os consumidores. Esses serviços eram oferecidos por empresas parceiras do banco.

Posicionamento do C6 sobre a decisão

Em nota oficial, o C6 contestou a interpretação do INSS e afirmou que atua em conformidade com a legislação vigente. A instituição declarou que pretende recorrer da decisão na Justiça, buscando garantir seu direito de defesa.

O banco também destacou que não condiciona a contratação de empréstimos à aquisição de outros produtos e negou a cobrança de parcelas relacionadas a pacotes adicionais. Segundo o posicionamento, todas as operações seguem normas regulatórias aplicáveis ao setor.

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