*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O vereador por Cuiabá e presidente eleito da Câmara Municipal para o biênio 2027/2028, Ilde Taques (Podemos), pronunciou-se para negar veementemente qualquer ligação com disputas políticas no município vizinho de Várzea Grande. O parlamentar é um dos alvos da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na última terça-feira, dia 20 de outubro.
Em nota, a defesa do parlamentar informou que busca acesso integral aos autos da decisão judicial que fundamentou as ordens de busca e apreensão. Ilde Taques esclareceu os detalhes da abordagem policial ocorrida durante as diligências da operação.
Ilde Taques explicou que os R$ 40 mil em espécie localizados em seu poder durante a abordagem policial eram provenientes de um empréstimo pessoal e seriam aplicados no custeio de despesas de uma obra na propriedade dele.
Segundo o parlamentar, a abordagem ocorreu no momento em que ele deixava um almoço de confraternização, onde estava acompanhado do vereador Alex Rodrigues (Podemos). O encontro, conforme explicou, ocorreu a convite do vereador Dr. Miguel Júnior e não teve relação com articulações políticas várzea-grandenses.
“Não tive e nem tenho qualquer ligação política, muito menos ilícita, com a eleição da Câmara de Várzea Grande”, declarou Ilde Taques.
Ainda de acordo com o parlamentar, a origem do montante em dinheiro foi devidamente comprovada e fundamentada aos policiais no local da abordagem. Após prestarem os devidos esclarecimentos, tanto Ilde Taques quanto Alex Rodrigues foram liberados no próprio local, sem a efetivação de apreensões de materiais durante a abordagem.
ENTENDA O CASO: A OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS
A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A investigação do Gaeco apura a atuação de uma suposta organização criminosa instalada no Poder Legislativo, envolvida em cooptação de agentes públicos, pagamento de vantagens indevidas, corrupção e ingerência na eleição de Mesas Diretoras.
A ação policial mirou 13 vereadores da Câmara de Várzea Grande e dois parlamentares da Câmara de Cuiabá, Ilde Taques e Alex Rodrigues.
A citação ao nome de Ilde Taques traz repercussão direta na capital. No último dia 6 de outubro, Taques foi eleito por unanimidade com 27 votos, como o próximo presidente da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027/2028, liderando uma chapa única que pacificou os bastidores após a tentativa frustrada da vereadora Paula Calil (PL) em alterar o Regimento Interno para permitir reeleição.
CRISE INSTITUCIONAL E ANULAÇÃO DE ELEIÇÃO EM VÁRZEA GRANDE
Em Várzea Grande, o foco da investigação do Gaeco recai sobre a disputa pelo comando do Legislativo. Entre os investigados figuram o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), a diretora financeira Lorineide Aparecida Trindade Inha, o secretário legislativo Samir Japonês (PL) e outros 12 vereadores:
-Alessandro Moreira (MDB)
-Braz Jaciro (PSDB)
-Cilcinho (PV)
-Denival Galibert (PSB)
-Emerson Cesar (PP)
-Gisa Barros (Podemos)
-Kleberton Feitoza (PSB)
-Lucélia Oliveira (Agir)
-Miguel Angel (Cidadania)
-Raul Curvo (Republicanos)
-Rogerinho da Dakar (PSDB)
-Wender Silva (Republicanos)
A crise no Legislativo várzea-grandense se intensificou após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular a sessão extraordinária de maio deste ano, na qual a Chapa 1 “Credibilidade e Independência”, encabeçada por Wanderley Cerqueira, havia sido vitoriosa por 12 a 11 contra a Chapa 2, do vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL). A anulação deflagrou suspeitas sobre negociações espúrias e compra de votos para a composição da Mesa.
A megoperação do Gaeco envolveu cerca de 200 policiais militares e tropas de elite de Mato Grosso (Bope, Rotam, Cavalaria e Inteligência). Os materiais recolhidos nos endereços dos investigados estão sob análise pericial.

